Equipes de Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad consultaram mesmo especialista em segurança
Consultoria baseada no documento Pacto Pelo Futuro aponta convergência em temas como combate ao crime organizado e investigação de crimes
Por Redação Diário Local
As campanhas de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Fernando Haddad (PT), que disputam o governo de São Paulo, consultaram o mesmo especialista em segurança pública para orientações estratégicas. O pesquisador Leandro Piquet, pós-doutor em ciência política e integrante do Conselho Gestor da Secretaria de Segurança Pública (SSP) do estado, realizou consultoria para ambos os lados.
Segundo o especialista, os candidatos apresentam pontos de convergência em temas centrais, embora divirjam na forma de abordagem. Entre as prioridades comuns está o combate à infiltração do crime organizado em setores da economia lícita, como o mercado de combustíveis, a lavagem de dinheiro e as plataformas de jogos.
Outro ponto de consenso identificado é a necessidade de melhorar a elucidação de crimes em São Paulo. Piquet aponta que o estado apresenta baixos índices na resolução de homicídios, o que compromete a investigação de crimes graves, como o feminicídio, e expõe falhas na prevenção e no cumprimento de medidas protetivas.
As equipes de campanha também buscam estratégias para impedir que o crime organizado avance no controle de territórios paulistas, um cenário já observado em estados como Rio de Janeiro, Bahia e Ceará. Para isso, há um interesse compartilhado em ações que garantam a integração entre as instituições estaduais e os municípios.
No que diz respeito às guardas municipais, o consultor destaca a importância de o Estado exercer um papel de coordenação. O objetivo é promover o desenvolvimento de capacidades, o avanço em treinamentos, a definição de protocolos e uma maior integração dessas guardas ao sistema de segurança pública estadual.
Base estratégica do debate
A consultoria realizada por Piquet fundamentou-se no documento "Pacto Pelo Futuro", desenvolvido pela organização da sociedade civil Comunitas. O material, que será divulgado oficialmente na próxima segunda-feira (24), funciona como um referencial estratégico para gestores públicos.
O documento foi estruturado em eixos temáticos que incluem o combate à expansão do crime organizado, a valorização e integridade das polícias, a reforma do sistema prisional e a cooperação internacional. O material também prevê mudanças por meio de agendas legislativas e o aumento da capacidade de investigação.
A elaboração do pacto contou com a coordenação de Piquet e a participação de diversos especialistas, como Carolina Ricardo, do Instituto Sou da Paz, e Renato Lima, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O grupo também incluiu sociólogos e cientistas políticos especializados em economia ilícita e políticas de controle criminal.
