TJMS abre auditoria após exposição de processos fictícios com nomes de personagens e políticos
Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul instaurou auditoria interna após registros de testes com nomes de personagens e do presidente ficarem públicos.
Por Redação Diário Local
O Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul (TJMS) instaurou uma auditoria interna após a exposição de processos fictícios em um ambiente de testes do sistema e-SAJ. Os registros continham nomes de personagens de desenhos animados e referências ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de apelidos de cunho político vinculados a crimes simulados.
A falha ocorreu na unidade de homologação da plataforma, espaço utilizado pelo tribunal para validar novas funcionalidades antes da implantação oficial. Segundo o TJMS, os dados não possuem validade jurídica e faziam parte de ambientes de treinamento usados em cursos de capacitação realizados em 2006, 2015 e 2018.
A exposição dos conteúdos, que incluíam uma ação simulada entre os personagens Bob Esponja e Lula Molusco, levou o caso ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS). A deputada estadual Gleice Jane protocolou representações nos dois órgãos para identificar a origem dos dados.
O que será investigado?
A deputada Gleice Jane cobrou uma investigação para apurar se o conteúdo foi criado por servidores, empresas contratadas ou participantes de cursos de capacitação. Há também a possibilidade de apurar se ocorreu algum acesso indevido ao ambiente de testes.
O tribunal explicou que a exposição aconteceu porque o ambiente de homologação ficou acessível na internet além do previsto. A Corte afirmou que o incidente não gerou impacto sobre processos reais ou sobre os bancos de dados oficiais do órgão.
Novas regras de segurança
Como desdobramento, o presidente do TJMS, desembargador Dorival Renato Pavan, publicou uma portaria para reforçar a segurança dos sistemas eletrônicos. A nova norma exige que as plataformas mantenham registros detalhados de acessos e operações realizadas pelos usuários.
Com a medida, será possível identificar quem acessou o sistema, quais alterações foram feitas e o momento exato das ações. Esses registros, que incluem tentativas de acesso indevido e mudanças de configuração, deverão ser armazenados por até dez anos para fins de auditoria.
O TJMS também anunciou o fortalecimento da separação entre os sistemas de produção e de homologação, além da implementação de novas camadas de monitoramento para evitar que situações semelhantes voltem a ocorrer.
