Zanin autoriza Polícia Federal a investigar ministro Marco Buzzi por suspeita de venda de sentenças
O ministro do STF autorizou a apuração sobre suposta antecipação de minutas de decisões no Superior Tribunal de Justiça.
Por Redação Diário Local
O ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), autorizou que a Polícia Federal (PF) investigue o ministro Marco Buzzi, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A decisão faz parte de um inquérito que apura um suposto esquema de venda de sentenças e a antecipação de minutas de decisões judiciais para lobistas e empresários do agronegócio.
Zanin é o relator do caso que investiga o fornecimento de informações privilegiadas de ministros do STJ para terceiros. Em maio, o magistrado já havia autorizado a investigação do ministro Mauro Ribeiro no âmbito da operação Sisamnes.
A investigação fundamenta-se em relatórios da Polícia Federal que apontam movimentações financeiras suspeitas. Em um documento de outubro, a PF citou repasses de valores para a advogada Catarina Buzzi, que é filha do ministro Marco Buzzi.
De acordo com a apuração, mensagens encontradas no celular do lobista Anderson de Oliveira Gonçalves indicavam a cobrança de R$ 1,12 milhão por serviços que, segundo as investigações, não teriam sido realizados. A Procuradoria-Geral da República (PGR) já havia denunciado nove investigados no dia 27 de maio, incluindo o empresário Gonçalves e assessores de gabinetes do tribunal.
A abertura deste novo inquérito ocorre após a reunião de novos elementos pela corporação. Um relatório anterior, produzido após a troca do delegado responsável pela condução do caso, havia concluído que não havia indícios de irregularidades na atuação da advogada Catarina Buzzi.
Defesa de Marco Buzzi
Em nota oficial, o ministro Marco Buzzi afirmou que não possui relação com as atividades profissionais de seus familiares. Ele ressaltou que é impedido de exercer função de magistrado em casos nos quais parentes atuem.
O ministro declarou ainda que não tem conhecimento sobre o andamento do caso em questão e afirmou que não figura como investigado no processo. O magistrado busca afastar qualquer vínculo com as suspeitas levantadas sobre sua família.
Marco Buzzi está afastado de suas funções no STJ desde 10 de fevereiro (10). O afastamento ocorreu para que ele responda a um processo administrativo decorrente de uma acusação de importunação sexual envolvendo uma ex-assessora de 18 anos.
O julgamento referente a essa acusação de importunação sexual está agendado para o dia 6 de agosto (06).
