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Saúde

Procedimento de controle de colesterol pode reduzir níveis de poluentes no sangue

Estudo indica que a aférese terapêutica, usada para casos graves de colesterol, pode reter compostos químicos e microplásticos.

Por Redação Diário Local

Um procedimento utilizado no tratamento de colesterol alto pode reduzir a presença de substâncias poluentes no sangue, de acordo com um estudo publicado na revista Brain Health. A técnica, denominada aférese terapêutica, é indicada para pacientes cujos medicamentos não conseguem controlar os níveis de colesterol.

Pesquisadores observaram que o filtro utilizado durante o processo também reteve compostos químicos persistentes, conhecidos como PFAS (substâncias per- e polifluoroalquiladas), além de indícios de microplásticos. Segundo a pesquisadora Charlotte Steenblock, da Universidade Técnica de Dresden, o procedimento foi desenvolvido para tratar doenças cardiovasculares, mas também apresentou redução de PFAS e sinais de retenção de microplásticos.

Como funciona o procedimento?

A aférese consiste em retirar o sangue do paciente para separar o plasma e filtrá-lo antes de devolvê-lo ao organismo. O objetivo é remover partículas ligadas ao colesterol que aumentam o risco cardiovascular. Durante o processo, o plasma passa por filtros capazes de reter estruturas maiores, como as lipoproteínas.

A equipe de pesquisa suspeita que alguns poluentes acabam sendo removidos junto com essas partículas ou ao se ligarem a proteínas presentes no sangue. Os PFAS são compostos químicos sintéticos, frequentemente chamados de "produtos químicos eternos", utilizados em produtos como tecidos impermeáveis, embalagens e panelas antiaderentes, podendo permanecer no corpo por longos períodos.

Redução de PFAS e incertezas sobre microplásticos

No estudo, 14 pacientes passaram por sessões de plasmaférese com dupla filtração. Após o procedimento, quatro tipos comuns de PFAS apresentaram redução de até 25% no sangue. Em uma análise separada envolvendo quatro pacientes, a queda média para cinco tipos desses compostos variou entre 43,5% e 75,8%.

Já os dados sobre microplásticos foram menos consistentes. Embora tenha ocorrido a redução de certos tipos de plástico em alguns casos, outros apresentaram aumento. Uma das explicações levantadas é que parte dessas partículas pode ter vindo dos próprios materiais usados no tratamento, como as bolsas e tubos plásticos.

Além disso, os pesquisadores ressaltam que os exames medem apenas o que está circulando no momento, o que não indica o total acumulado no organismo. Embora tenham encontrado microplásticos nos filtros após o uso, os autores afirmam que isso não permite concluir que o procedimento reduza de forma estável a quantidade total de poluentes no corpo.

Quais os próximos passos?

Os autores do estudo destacam que os resultados possuem limitações, pois o trabalho envolveu poucos participantes e utilizou métodos de análise distintos. Também não foi avaliado por quanto tempo a redução dos poluentes se mantém ou se existe benefício direto para a saúde do paciente.

Por esse motivo, os pesquisadores defendem a necessidade de estudos maiores, com acompanhamento prolongado e técnicas padronizadas, antes de considerar a aférese para lidar com a exposição a esses poluentes. Atualmente, o procedimento segue indicado apenas para condições específicas de colesterol, sob acompanhamento médico.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.