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Saúde

Especialistas alertam que termo 'psicose política' é inadequado para explicar ansiedade eleitoral

Uso de termos clínicos para descrever estresse com o pleito pode confundir eleitores; saiba como equilibrar informação e bem-estar.

Por Redação Diário Local

O termo "psicose política", usado para descrever o estado de espírito de eleitores em períodos de eleição, é considerado inadequado por especialistas. O conceito clínico de psicose envolve alterações profundas na percepção da realidade, como delírios e alucinações, o que difere de reações comuns de ansiedade, estresse ou paixão política.

A preocupação com o impacto emocional surge diante da expectativa pelo segundo turno das eleições, marcado para o próximo domingo (25). O acompanhamento constante de pesquisas e debates nas redes sociais pode prejudicar o sono, a concentração e os relacionamentos, caso o interesse excessivo comprometa as obrigações cotidianas.

A psicóloga Handreza Oliveira, especialista em terapia cognitivo-comportamental (TCC) e análise do comportamento aplicada (ABA), explica que a intensidade de uma opinião ou o volume de notícias consumidas não permitem diagnosticar uma pessoa com psicose. O diagnóstico clínico exige a perda do contato com a vida real, o que não deve ser confundido com inquietação eleitoral.

O comportamento torna-se um sinal de alerta quando o consumo de conteúdos se torna repetitivo e não traz informações novas. Nesse caso, a pessoa pode terminar a leitura sentindo-se mais angustiada, mas ainda assim apresenta dificuldade em interromper o hábito de checar as redes.

Outro ponto de atenção é a diferença entre o hiperfoco e a ruminação. Enquanto o hiperfoco é uma concentração intensa, a ruminação ocorre quando o indivíduo volta continuamente aos mesmos receios, relendo notícias e debates na tentativa de aliviar o medo do que poderá acontecer.

A neuropsicóloga Priscila Patrícia observa que as discussões políticas podem ganhar um peso pessoal porque as escolhas partidárias estão ligadas a valores e à identidade de cada um. Por isso, o questionamento de uma preferência política é frequentemente interpretado como um ataque pessoal.

Quando a discordância deixa de ser sobre propostas e passa a gerar rejeição, raiva ou desconfiança sobre o caráter dos opositores, o fenômeno é chamado de polarização afetiva. Esse cenário envolve julgamentos de caráter em vez de debates sobre planos de governo.

Acompanhar discussões agressivas em ambientes digitais, mesmo sem participar ativamente, também pode elevar os níveis de ansiedade e irritabilidade. Nas relações próximas, os sinais de desgaste emocional incluem brigas frequentes, desrespeito, afastamento e dificuldade de escuta.

Como controlar a tensão no período eleitoral?

Para preservar a saúde mental, a neuropsicóloga Priscila Patrícia recomenda organizar o consumo de notícias para que a informação tenha seu espaço sem ocupar todas as atividades do dia. Uma das estratégias é definir horários específicos para acompanhar as atualizações eleitorais.

Outras medidas incluem a escolha de fontes confiáveis e a redução de interrupções, como o silenciamento de grupos de mensagens e a desativação de notificações que aumentem a tensão. Estabelecer limites em conversas agressivas também é uma forma de proteção emocional.

A especialista reforça que reduzir o acompanhamento das eleições não significa omissão política. Manter outras atividades, como o sono, o trabalho, o lazer e o convívio social, é essencial para encontrar o equilíbrio entre estar informado e preservar o bem-estar.

Quando buscar ajuda profissional?

A atenção deve ser redobrada quando o sofrimento emocional persiste e a pessoa não consegue retomar sua rotina normal. Sintomas como insônia frequente, dificuldade de concentração e conflitos recorrentes são sinais de que o equilíbrio foi perdido.

Tentativas frustradas de parar de checar notícias e a incapacidade de interromper o ciclo de preocupação também são motivos para procurar apoio especializado. A psicoterapia pode ser utilizada para identificar pensamentos que aumentam a ansiedade e desenvolver tolerância à incerteza.

Por fim, especialistas alertam que sintomas como alucinações, crenças delirantes e pensamento desorganizado são sinais de quadros clínicos distintos da preocupação eleitoral. Nesses casos, a avaliação profissional deve ser buscada de forma imediata.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.