Estudo revela que mulheres têm risco de infarto mesmo com menos placas nas artérias
Pesquisa da Associação Americana do Coração mostra que acúmulo de gordura afeta a circulação feminina de forma mais severa que a masculina.
Por Redação Diário Local
Um estudo da Associação Americana do Coração (American Heart Association) revelou que as mulheres correm risco de infarto mesmo apresentando uma quantidade menor de placas de gordura nas artérias do coração em comparação aos homens. A pesquisa indica que o acúmulo de gordura afeta a circulação feminina de forma proporcionalmente maior do que a masculina.
Os resultados foram publicados na revista científica Circulation: Cardiovascular Imaging. O monitoramento acompanhou 4.267 participantes por aproximadamente dois anos, com idade média de 60 anos, sendo 51% do grupo composto por mulheres. Todos os voluntários apresentavam dor no peito estável e não possuíam histórico prévio de doença arterial coronariana.
Durante o acompanhamento, 55% das mulheres registraram placas nas artérias coronárias, contra 75% dos homens. A quantidade mediana de placas também foi menor no público feminino, com 78 milímetros cúbicos, frente aos 156 milímetros cúbicos registrados nos homens.
Por que o risco de complicações aumenta mais cedo em mulheres?
Apesar do menor volume de gordura nos vasos sanguíneos, a presença reduzida de placas não serviu como fator de proteção para as pacientes. O estudo mostrou que o risco de complicações cardíacas — que inclui morte por qualquer causa, infarto não fatal ou necessidade de internação por dores no peito — começou a subir nas mulheres quando as placas atingiram 20% do comprometimento das artérias.
No caso dos homens, a elevação do risco só foi observada quando o comprometimento atingiu 28%. Além disso, o risco cresceu de maneira mais rápida no público feminino à medida que a quantidade de gordura aumentava, efeito que se tornou ainda mais relevante nas mulheres após a menopausa.
Borek Foldyna, professor assistente de radiologia na Faculdade de Medicina de Harvard, explicou que a menor quantidade de placas não representa, necessariamente, um risco menor de eventos coronarianos para a mulher. Uma das explicações é que as mulheres possuem artérias coronárias de menor diâmetro, o que faz com que pequenos depósitos de gordura gerem um impacto proporcionalmente maior no fluxo sanguíneo.
Quais são os sinais de alerta?
Os autores do estudo reforçam que a medição de placas nas artérias é um dado auxiliar importante, mas não deve ser analisada de forma isolada para o diagnóstico da saúde do coração. É necessário observar sintomas clínicos conjuntamente.
Sinais de alerta importantes incluem dor ou pressão no peito, falta de ar, suor frio, náuseas, tontura e desconforto que se irradia para braços, costas, pescoço ou mandíbula. Diante de qualquer suspeita de infarto, a recomendação é buscar atendimento médico de emergência imediatamente. No Brasil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pode ser acionado pelo telefone 192.
