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Saúde

Atividade física está associada a maior volume cerebral em idosos, aponta estudo

Pesquisa da Unesp identificou que idosos ativos possuem maior preservação de regiões ligadas à memória e ao raciocínio

Por Redação Diário Local

Idosos que praticam atividades físicas apresentam maior volume cerebral, especialmente em áreas ligadas à memória e ao raciocínio. A conclusão é de uma revisão sistemática conduzida por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), e publicada na revista científica Journal of Aging and Physical Activity.

O estudo analisou dados de 2.684 pessoas com 60 anos ou mais, apresentando uma idade média de 70 anos. A pesquisa reuniu informações de 19 estudos observacionais e avaliou 76 estruturas e regiões diferentes do cérebro humano.

Os resultados indicaram uma associação direta entre níveis elevados de atividade física e uma maior preservação do volume cerebral. Entre as regiões monitoradas pelos cientistas, destaca-se o hipocampo, estrutura fundamental para a formação de novas memórias.

O hipocampo é uma das partes mais afetadas pelo processo natural de envelhecimento e por doenças degenerativas, como o Alzheimer. A preservação dessa região é considerada um indicador importante de saúde cognitiva.

De acordo com o professor Lucas Melo Neves, do Departamento de Educação Física da Unesp e orientador da pesquisa, o impacto pode ser mensurável. Alguns estudos identificados na revisão mostraram que idosos com 150 minutos de exercícios semanais tinham o hipocampo de 7% a 10% maior que indivíduos sedentários.

Para o pesquisador, um hipocampo mais preservado está relacionado a um melhor desempenho de memória. Além disso, ajuda na chamada reserva cognitiva, que é a capacidade do cérebro de lidar com perdas relacionadas à idade.

Como o exercício afeta a comunicação cerebral?

A revisão sistemática também identificou que a atividade física auxilia na preservação da substância branca. Essa estrutura é a responsável pela comunicação eficiente entre as diferentes regiões do cérebro.

A integridade da substância branca é essencial para manter a velocidade do raciocínio. Alterações nessa parte do sistema nervoso podem comprometer outras funções cognitivas importantes.

Com o avanço da idade, o cérebro passa por uma redução gradual de volume. Isso ocorre devido à perda de neurônios e à diminuição das conexões entre as células nervosas, o que pode afetar a atenção.

A prática regular de exercícios pode favorecer a saúde cerebral por diversos mecanismos biológicos. O movimento ajuda a melhorar a circulação sanguínea e estimula a formação de novos vasos.

O exercício também atua na redução de processos inflamatórios no sistema nervoso. Além disso, estimula a produção de substâncias como o BDNF, uma proteína associada à sobrevivência e adaptação dos neurônios.

“A atividade física cria um ambiente biológico mais favorável à saúde cerebral”, afirmou Neves. Segundo o professor, o exercício não serve apenas para preservar, mas pode estimular adaptações estruturais no órgão.

O estudo comprova que o exercício causa o aumento cerebral?

Apesar dos dados positivos, os pesquisadores alertam que a revisão baseou-se em estudos observacionais. Por esse motivo, não é possível afirmar que a prática de exercícios seja a causa direta do maior volume cerebral.

Existe uma hipótese científica de que a relação possa ser inversa. Pesquisadores consideram que pessoas que já possuem estruturas cerebrais mais preservadas podem ter maior disposição biológica para realizar atividades físicas.

Para esclarecer essa questão de causalidade, os autores já trabalham em uma nova fase da pesquisa. Eles estão desenvolvendo uma nova revisão para acompanhar idosos submetidos a programas regulares de exercícios.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.