Cães treinados visitam pacientes de oncologia e pediatria em hospital de Vitória para auxílio em tratamentos
Projeto de Terapia Assistida por Animais leva bem-estar a pacientes oncológicos e pediátricos no Hospital Unimed Vitória.
Por Redação Diário Local
Cães treinados realizam visitas a pacientes das alas de oncologia e pediatria no Hospital Unimed Vitória para auxiliar no bem-estar durante os tratamentos. A iniciativa faz parte da Terapia Assistida por Animais (TAA), por meio do projeto Unipet, uma parceria entre a unidade hospitalar e o Instituto Doutores de Patas.
A atividade busca oferecer acolhimento e suporte emocional para enfrentar sentimentos comuns durante internações, como medo, tristeza, ansiedade e isolamento social. Segundo o psicólogo clínico e hospitalar Pedro Lyra, que atua no hospital, a interação com os animais cria uma pausa na rotina do tratamento e favorece a relação entre o paciente, a equipe de saúde e o animal.
As visitas ocorrem, em média, uma vez por mês, aos sábados, e atendem entre 12 e 15 pacientes. Para garantir a segurança, os cães passam por avaliações comportamentais realizadas por profissionais de comportamento canino, além de receberem cuidados veterinários antes das atividades.
Como funciona a terapia com animais?
A Terapia Assistida por Animais utiliza a presença de animais para oferecer apoio emocional, especialmente em casos de tratamentos longos. O médico veterinário Marcelo Carvalho explica que o fator determinante para a participação dos cães é o temperamento, e não necessariamente a raça, permitindo que animais de diferentes origens participem do projeto após o treinamento adequado.
O diretor clínico do Hospital Unimed Vitória, Felipe Tabachi Amado, afirma que a proposta visa tornar a rotina dos pacientes oncológicos mais acolhedora. Embora não existam dados clínicos específicos que comprovem melhora direta na saúde física pela visita, ele observa ganhos significativos no conforto, na sensação de segurança e na tranquilidade dos pacientes durante o processo.
Clara Maria de Souza, diretora-presidente do Instituto Doutores de Patas, detalha que o instituto reúne 10 cães para o projeto. O objetivo é transformar o ambiente hospitalar, que muitas vezes é marcado por incertezas, em um local mais confortável por meio do afeto proporcionado pelos animais.
Impacto no cotidiano dos pacientes
A presença dos cães pode alterar a forma como os pacientes interagem com o ambiente. O psicólogo Pedro Lyra observa que pacientes mais retraídos passam a conversar e demonstrar curiosidade, resgatando histórias relacionadas aos seus próprios animais de estimação, o que retira o foco exclusivo da doença.
Para quem enfrenta o tratamento, como é o caso do jovem Yuri Faiole, de 19 anos, a visita traz um impacto imediato no humor. O morador de Cariacica, que trata uma leucemia desde fevereiro, destaca que o contato com os animais melhora completamente o dia de quem está internado.
O projeto também atinge pacientes em situações de alta vulnerabilidade emocional. A empresária Alana Pereira Lima, de 31 anos, que faz tratamento contra leucemia após um parto de alto risco, relatou que a visita de cães como os da raça Spitz e Golden Retriever transmite paz e companhia durante o processo de recuperação.
