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Saúde

Calor causa mais mortes por doenças respiratórias do que o frio no Brasil, aponta estudo

Pesquisa da Unicamp analisou 1 milhão de óbitos e identificou que temperaturas altas aumentam o risco de morte em 43%

Por Redação Diário Local

O calor é o principal fator de risco para mortes por doenças respiratórias no Brasil, superando o impacto do frio, aponta um estudo da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A pesquisa, publicada na revista PLOS Climate, analisou mais de 1 milhão de óbitos registrados entre 2010 e 2020 em 646 municípios brasileiros.

De acordo com os pesquisadores, estima-se que cerca de 66 mil mortes por condições respiratórias no período estiveram associadas a temperaturas fora da faixa de menor risco para a população, definida em 22,4 °C. Desse total, 4,27% foram atribuídas ao calor, enquanto 1,81% foram relacionadas ao frio.

A pesquisa indica que dias com calor intenso elevam o risco de morte em 43%, ao passo que dias de frio extremo aumentam o risco em 29%. O médico de família e primeiro autor do estudo, Guilherme Coelho, explica que o país permanece acima do ponto de conforto térmico em aproximadamente 3/4 dos dias do ano.

Para o pesquisador, o Brasil ainda possui pouca preparação para enfrentar temperaturas elevadas, tanto em infraestrutura quanto em adaptação da população. Na prática clínica, o aumento de crises respiratórias, como asma e doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), já é observado fora dos tradicionais meses de outono e inverno.

Como o calor afeta o sistema respiratório?

Embora o calor não seja a causa direta do óbito, as altas temperaturas afetam o sistema respiratório de diversas formas. A desidratação pode ressecar as vias aéreas e tornar a secreção pulmonar mais espessa, o que dificulta sua eliminação.

Esse processo aumenta a irritação das vias aéreas e favorece o surgimento de infecções e crises respiratórias. O pneumologista Humberto Bogossian, do Hospital Israelita Albert Einstein, ressalta que o corpo passa a respirar mais rapidamente para dissipar o calor, elevando o esforço do sistema.

Outros fatores típicos de períodos aquecidos potencializam o risco, como a baixa umidade do ar, a poluição atmosférica, as queimadas e o aumento da concentração de ozônio. A urbanização também é apontada como agravante do cenário.

Segundo o médico, as cidades têm perdido áreas verdes e acumulado superfícies impermeáveis. Esse processo forma as chamadas "ilhas de calor", que intensificam a exposição das pessoas a temperaturas elevadas nas metrópoles.

Por que o impacto varia entre as regiões?

O estudo revela que o impacto climático muda conforme a localização geográfica e o histórico de adaptação de cada região. Enquanto no Norte ocorre a maior proporção de mortes respiratórias ligadas ao calor (12,5%), no Sul o frio ainda é o principal fator de risco associado a óbitos.

No Norte, o ponto de menor risco térmico é de cerca de 32 °C, ao passo que no Sul esse valor é de aproximadamente 23 °C. Guilherme Coelho afirma que o problema central é a saída da temperatura à qual a população está acostumada, o que explica o chamado "paradoxo do frio" em certos estados.

Essa variação exige que as políticas públicas sejam regionalizadas. Segundo o pesquisador, o Norte e o Nordeste necessitam de planos específicos para enfrentar o calor, enquanto o Sul deve concentrar medidas voltadas ao enfrentamento do frio.

Quem são os grupos mais vulneráveis?

Os idosos representam o grupo de maior risco em todo o território nacional. Cerca de 75% das mortes respiratórias associadas a temperaturas extremas são registradas nessa faixa etária, segundo os dados da pesquisa.

A vulnerabilidade ocorre porque o envelhecimento reduz a capacidade do organismo de regular a temperatura corporal. Além disso, os idosos possuem maior predisposição à desidratação e costumam conviver com doenças crônicas respiratórias e cardiovasculares.

Para reduzir os riscos durante ondas de calor, especialistas recomendam manter a hidratação constante e evitar a exposição ao sol nos horários mais quentes. O uso de roupas leves e a umidificação de ambientes também são medidas de proteção indicadas.

A manutenção de tratamentos médicos e o cumprimento do calendário de vacinação, incluindo imunizantes para influenza, covid-19, pneumococo e vírus sincicial respiratório (VSR), são fundamentais para a prevenção de complicações.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.