Diferença de idade aumenta chance de divórcio em casais, aponta estudo
Pesquisa da Universidade de Emory mostra que o contraste etário entre parceiros está associado a maiores índices de separação.
Por Redação Diário Local
Casais com grandes diferenças de idade apresentam índices de divórcio mais elevados do que aqueles formados por parceiros com idades próximas. A conclusão faz parte de um estudo realizado pelos pesquisadores Andrew Francis e Hugo Mialon, do departamento de Economia da Universidade de Emory, nos Estados Unidos.
A pesquisa analisou um grupo de mais de 3 mil casamentos para entender como o contraste etário influencia a estabilidade das uniões. O levantamento apontou que os menores índices de separação ocorrem quando os cônjuges possuem idades semelhantes.
De acordo com os dados da investigação, a distância entre as idades tem um impacto progressivo na probabilidade de rompimento. Um intervalo de apenas um ano entre os parceiros eleva em 3% a chance de divórcio.
O aumento torna-se mais acentuado conforme a diferença cresce. Quando o intervalo de idade chega a cinco anos, o percentual de separações sobe para 18%.
Nos casos em que a diferença entre os cônjuges atinge uma década, o estudo registrou que 39% das uniões terminam em divórcio. Essa correlação tem gerado discussões, especialmente devido à visibilidade de casais famosos com grandes disparidades etárias.
Apesar da polêmica envolvendo a idade, os pesquisadores da Universidade de Emory identificaram que outros fatores possuem relações ainda mais fortes com a duração do casamento. Fatores socioculturais e econômicos mostraram-se mais determinantes para a estabilidade do que o nascimento ou a idade.
Como a educação e a renda afetam os casamentos?
O nível de instrução dos parceiros é um dos principais indicadores de risco para o fim da união. Casais que possuem diferentes níveis educacionais apresentam uma chance 43% maior de se separarem.
Dentro do grupo de casais com disparidade educacional, o estudo observou um padrão comportamental: a maioria dos processos de divórcio foi iniciada pelas mulheres.
A situação financeira também exerce papel fundamental na manutenção do vínculo conjugal. A estabilidade econômica parece atuar como um fator de proteção para o relacionamento.
Os dados mostraram que casais com renda familiar superior a US$ 125 mil registraram 51% menos divórcios do que aqueles que ganham até US$ 25 mil. A segurança financeira, portanto, está associada a menores taxas de ruptura.
Qual o impacto da chegada de filhos?
A presença de filhos na configuração familiar também influencia a probabilidade de separação. O estudo indicou que ter crianças reduz as chances de o casal se divorciar.
Esse efeito de estabilização é ainda mais forte quando as crianças nascem após o matrimônio. O vínculo entre os pais é reforçado quando o nascimento ocorre dentro do casamento já estabelecido.
Embora casais com diferença de idade tenham grande representação na mídia e entre celebridades, o padrão comum é diferente. Uma análise do Pew Research Center mostrou que 51% dos casados nos Estados Unidos possuem até dois anos de diferença entre si.
Historicamente, as configurações de idade mudaram. Em 1880, a diferença média entre os cônjuges era de cinco anos, enquanto, mundialmente, casais heterossexuais apresentam, em média, homens 4,2 anos mais velhos que suas parceiras.
