Psiquiatra orienta como lidar com o luto e a saudade no Dia de Finados
Especialista explica como enfrentar o luto e quando é necessário buscar ajuda profissional para processar a perda.
Por Redação Diário Local
O Dia de Finados, celebrado nesta segunda-feira (2), costuma intensificar lembranças e emoções, o que pode gerar mudanças profundas na rotina e na saúde emocional de quem vivencia o luto. A data, que tem origem no termo latino finātus — que significa "aquilo que chegou ao fim" —, é marcada por tradições como visitas a cemitérios e homenagens a entes queridos.
Segundo a psiquiatra Elaine Bida, o processo de luto não possui uma fórmula única ou um prazo determinado para ser concluído. A especialista explica que cada indivíduo reage à perda de uma maneira distinta, e todas as emoções que surgem durante esse período merecem acolhimento.
Para a médica, a saudade e a continuidade da vida podem caminhar juntas. De acordo com Bida, seguir em frente não significa esquecer a pessoa que partiu, mas sim reconhecer que ela continua ocupando um lugar importante na história de quem fica, mesmo sem a presença física.
A especialista ressalta que sentimentos como tristeza, sensação de vazio e dificuldade de retomar atividades são reações comuns. O essencial, segundo a orientação médica, é respeitar o tempo individual e evitar transformar o processo de recuperação em uma cobrança excessiva.
Como tornar o luto mais leve?
Para lidar com a perda, a psiquiatra recomenda cinco passos principais. O primeiro deles é permitir-se sentir a saudade e as emoções naturais. Tentar esconder a tristeza ou evitar lembranças pode dificultar o processo, sendo importante validar o choro e a conversa sobre quem partiu.
O segundo passo consiste em preservar boas memórias. O uso de fotografias, músicas, histórias e a manutenção de tradições familiares são estratégias que ajudam a manter vivo o significado do vínculo e os ensinamentos compartilhados com o falecido.
O terceiro ponto de atenção é não se afastar da rede de apoio. Mesmo quando houver vontade de isolamento, manter o contato com pessoas de confiança e aceitar convites de amigos ou familiares pode oferecer o acolhimento necessário para atravessar momentos difíceis.
No quarto passo, a orientação é retomar a rotina e as atividades de forma gradual. Retornar ao trabalho, praticar exercícios físicos e retomar pequenos hábitos ajuda na reorganização da vida, desde que seja feito no próprio ritmo e respeitando os limites de cada um.
A médica reforça que esse retorno não deve ser pautado por comparações com a experiência de outras pessoas, pois cada trajetória de perda é singular e exige um processo de reconstrução particular.
Quando buscar ajuda profissional?
Embora sentir saudade por um longo período não seja necessariamente um sinal de problema de saúde mental, a psiquiatra alerta que é preciso observar o impacto desse sofrimento na vida prática da pessoa.
A busca por acompanhamento profissional deve ser considerada quando a tristeza se torna persistente e impede a realização de tarefas cotidianas. O sofrimento que se torna incapacitante exige o suporte de especialistas.
Entre os principais sinais de alerta estão o isolamento social intenso e a perda de interesse por atividades que antes eram prazerosas. Quando a pessoa sente que está paralisada pela perda, o suporte médico torna-se essencial.
A dificuldade severa de retomar a rotina e uma angústia que compromete a funcionalidade do dia a dia são indicadores de que o luto pode estar exigindo uma intervenção terapêutica para que a pessoa consiga seguir adiante.
