Composto encontrado no brócolis apresenta resultados promissores contra doença neurológica rara
Estudo da Universidade Swinburne indica que sulforafano pode ajudar a aumentar os níveis de frataxina em pacientes com ataxia de Friedreich.
Por Redação Diário Local
Um composto natural presente no brócolis apresentou efeitos promissores contra a ataxia de Friedreich, uma doença neurológica rara e sem cura. A pesquisa, realizada pela Universidade Swinburne, na Austrália, indica que o sulforafano pode atuar em processos biológicos ligados à condição genética que afeta o sistema nervoso.
Os resultados do estudo foram publicados na revista Antioxidants & Redox Signaling no dia 20 de julho e ainda precisam de confirmação por meio de testes clínicos em pacientes.
O que é a ataxia de Friedreich?
A ataxia de Friedreich é uma patologia genética, rara e progressiva que compromete a coordenação dos movimentos. O quadro geralmente começa nas pernas e avança para os membros superiores, afetando a capacidade de andar, manter o equilíbrio e a postura da coluna.
A doença está associada à redução da frataxina, uma proteína essencial para o funcionamento celular. Essa redução deixa o sistema nervoso, o pâncreas e o coração mais vulneráveis a danos, podendo causar reflexos lentos, perda de sensibilidade nos membros e alterações na visão e na audição.
Com o tempo, a degeneração de neurônios na medula espinhal e no cérebro pode prejudicar a fala e outras funções básicas. Pacientes também apresentam risco elevado de desenvolver diabetes e complicações cardíacas.
Como o composto atua no organismo?
No estudo experimental, o sulforafano auxiliou no aumento dos níveis de frataxina, proteína que se encontra reduzida em pessoas com a doença. Além disso, o composto demonstrou capacidade de proteger as células nervosas contra danos e atuar em processos de inflamação e estresse celular.
Os pesquisadores ressaltam que a eficácia em humanos ainda precisa ser avaliada por meio de ensaios clínicos, uma vez que os testes atuais foram realizados em modelos experimentais. O trabalho é considerado de grande relevância, visto que não existem tratamentos específicos aprovados para crianças, que compõem grande parte dos casos registrados.
Próximos passos da pesquisa
De acordo com os autores do estudo, o sulforafano possui histórico de segurança em pesquisas anteriores. Caso os resultados se confirmem nas fases seguintes, a substância pode ser produzida de forma concentrada para facilitar a aplicação médica.
O avanço para testes clínicos é o objetivo dos cientistas, que buscam entender se o composto pode melhorar a função neurológica e a qualidade de vida dos pacientes. O financiamento de pesquisas para doenças raras, como a ataxia de Friedreich, ainda é um desafio devido ao número reduzido de pessoas afetadas.
