Diário Local
Saúde

Consumo de conservantes em alimentos processados aumenta risco de hipertensão, diz estudo

Estudo francês associa consumo de oito aditivos alimentares a um aumento de 24% no risco de desenvolver pressão alta.

Por Redação Diário Local

O consumo de oito tipos de conservantes presentes em alimentos processados está associado a um aumento de 24% no risco de desenvolver hipertensão arterial (pressão alta). A informação é de um estudo francês publicado no European Heart Journal, que acompanhou a saúde e a alimentação de 112.395 pessoas por quase oito anos.

Durante o período de monitoramento, 5.544 participantes desenvolveram hipertensão e 2.450 apresentaram doenças cardiovasculares. A hipertensão é uma das condições cardiovasculares mais comuns no Brasil, afetando cerca de 30% da população adulta, e atua como um dos principais gatilhos para o infarto.

Quais são os conservantes associados ao risco?

Entre os aditivos identificados no estudo, o sorbato de potássio, presente em pães e queijos, apresentou uma associação de 39% de aumento no risco. Já o ácido cítrico, encontrado em refrigerantes, sucos, doces, geleias e molhos, foi associado a um aumento de 25%.

Outros itens citados incluem o metabissulfito de potássio (16%), o nitrito de sódio (16%), utilizado em carnes como presunto, mortadela, salame, linguiça e salsicha, além do ácido ascórbico (14%) e do eritorbato de sódio (14%). O ascorbato de sódio (12%) e os extratos de alecrim (10%) também foram monitorados.

Os conservantes são utilizados pela indústria para retardar alterações causadas por fungos e bactérias, aumentando a validade dos produtos. A nutricionista Dalyla Formagine alerta que alimentos ultraprocessados não devem ser consumidos diariamente, sendo fundamental priorizar a alimentação natural para prevenir doenças crônicas.

O que dizem os especialistas sobre a relação direta?

Apesar dos dados, a nutricionista ressalta que o estudo é observacional. Isso significa que os pesquisadores identificaram uma associação, mas não podem garantir que o consumo dos alimentos seja a causa direta, uma vez que fatores como genética e tabagismo também influenciam o quadro.

O cardiologista Diogo Barreto explica que alguns desses aditivos contêm sódio, substância que pode favorecer a retenção de líquidos e contribuir para a elevação da pressão arterial. Ele recomenda a substituição de produtos industrializados por alimentos mais naturais e a prática de atividades físicas.

O cardiologista Emilio Pereira Jr. observa que o consumo excessivo de industrializados pode levar ao menor consumo de frutas e verduras, além de estar relacionado a hábitos como sedentarismo, sono de má qualidade, obesidade e estresse. Ele destaca que as dietas DASH e do Mediterrâneo são recomendadas pela Sociedade Brasileira de Cardiologia para o controle da hipertensão e benefícios para pacientes com diabetes.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.