Divisão de tarefas domésticas aumenta o desejo sexual entre casais, aponta estudo
Pesquisa publicada no Journal of Sex Research mostra que o equilíbrio nas responsabilidades do lar favorece a libido e a conexão do casal.
Por Redação Diário Local
A divisão de tarefas domésticas e responsabilidades entre um casal pode interferir diretamente no nível de desejo sexual. De acordo com um estudo publicado no Journal of Sex Research, o interesse sexual aumenta quando os homens participam ativamente das obrigações do lar e quando as mulheres sentem que há um equilíbrio nas tarefas.
A pesquisa analisou o comportamento de 800 pessoas em relacionamentos heterossexuais. O levantamento foi dividido em dois grupos: o primeiro acompanhou 163 casais que viviam juntos durante a pandemia de Covid-19, enquanto o segundo entrevistou 617 adultos em relacionamentos após o período pandêmico.
Durante o estudo, os participantes responderam questionários que abordavam a divisão de tarefas domésticas, os cuidados com os filhos, o nível de libido e a visão sobre os papéis de gênero na sociedade. O objetivo era identificar como a dinâmica do cotidiano impactava a vida íntima.
O que os resultados mostram?
Os dados revelaram que mulheres que buscam relações mais igualitárias sentem mais desejo pelos parceiros quando a divisão de tarefas é justa. Por outro lado, o desejo dessas mulheres tende a diminuir quando elas se sentem sobrecarregadas com as obrigações da casa.
O estudo também observou um padrão entre os homens. Aqueles que participavam mais das atividades domésticas relataram maior desejo sexual pelas parceiras. Já os homens que assumiam uma parcela maior dos cuidados com os filhos apresentaram menor desejo.
Um detalhe relevante identificado pela pesquisa é que, entre mulheres com uma visão mais tradicional sobre os papéis de gênero, a associação entre divisão de tarefas e desejo praticamente não foi observada.
Como a sobrecarga afeta o corpo e a mente?
A sobrecarga física e mental, somada à privação de sono, são fatores que podem reduzir a libido. O estresse elevado também provoca impactos biológicos, como o aumento dos níveis de cortisol.
O excesso de cortisol pode inibir a produção de hormônios como testosterona e estrogênio, o que dificulta o processo de excitação e o desejo sexual. Além disso, a sensação de injustiça gera um desconforto psicológico.
A sexóloga e psicóloga Marcelle Paganini explica que, quando uma pessoa sente que está fazendo muito mais do que a outra, surge um sentimento de sofrimento que afeta a primeira fase da resposta sexual. O cansaço faz com que o indivíduo priorize o descanso em vez da atividade sexual.
Como melhorar a conexão do casal?
A sexóloga Flaviane Brandemberg afirma que a percepção de parceria aumenta a admiração e cria um ambiente favorável para a conexão afetiva. Segundo ela, as mulheres costumam desejar parceiros que compartilhem as responsabilidades de forma espontânea.
A ginecologista e sexóloga Lorena Baldotto alerta que a reclamação constante pode ser um sinal de que algo não vai bem. Para ela, a insatisfação é o momento ideal para o casal sentar e renegociar os acordos da relação antes que o problema se agrave.
O ajuste das tarefas deve ser feito por meio de um diálogo assertivo. É importante estabelecer limites e definir como cada um pode contribuir para que o funcionamento do lar seja harmonioso.
Especialistas reforçam que não existe uma divisão "ideal" para todos os casais. O mais importante é que os acordos sejam claros e considerados justos por ambos os parceiros, respeitando a realidade de cada rotina.
