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Saúde

Enxaqueca com aura pode elevar risco de AVC em comparação à população geral

Estudos indicam que pacientes com sintomas neurológicos temporários antes da dor de cabeça têm maior risco de acidente vascular cerebral

Por Redação Diário Local

Pessoas que sofrem de enxaqueca com aura apresentam um risco maior de desenvolver um acidente vascular cerebral (AVC) isquêmico em comparação à população geral. A condição é caracterizada por sintomas neurológicos temporários, como alterações visuais, sensoriais ou da fala, que ocorrem antes do início da dor de cabeça.

Apesar do aumento no risco relativo, especialistas ressaltam que o risco absoluto para esses pacientes permanece baixo. O diagnóstico não significa que o paciente inevitavelmente sofrerá um evento vascular, mas exige atenção ao controle de outros fatores de saúde.

O neurologista Thiago Taya, do Hospital Brasília Águas Claras, explica que esses indivíduos podem apresentar uma chance de sofrer um AVC até duas vezes maior ao longo da vida. No entanto, o médico reforça que o número total de casos continua pequeno e exige acompanhamento constante.

A relação de risco é específica para quem apresenta a chamada "aura". Na enxaqueca sem aura, as evidências científicas atuais não demonstram um aumento consistente do risco de ocorrência de um AVC.

Quais fatores aumentam o risco?

A presença de outros problemas cardiovasculares pode potencializar as chances de um AVC em quem tem enxaqueca com aura. O tabagismo, a hipertensão arterial (pressão alta) e o diabetes são alguns dos principais agravantes.

Além desses, o colesterol elevado, a obesidade, o sedentarismo e o consumo excessivo de álcool também são apontados como fatores que elevam a vulnerabilidade desses pacientes.

As mulheres devem ter atenção especial ao uso de anticoncepcionais hormonais que contenham estrogênio. Diretrizes internacionais contraindicam esse tipo de contraceptivo para pacientes com enxaqueca com aura, devido ao risco de formação de coágulos.

O neurocirurgião Pedro Henrique Cunha, do Hospital Samaritano Higienópolis, da Rede Américas, em São Paulo, destaca que a combinação de fatores é o ponto de maior preocupação. Para o médico, ter a condição não é uma sentença, mas um motivo para levar a prevenção a sério.

Segundo o especialista, ajustar hábitos de vida e controlar os fatores de risco pode deslocar a probabilidade de um evento cardiovascular de volta para níveis próximos aos da normalidade.

Como diferenciar a enxaqueca de um AVC?

Embora os sintomas possam ser parecidos, há diferenças fundamentais no modo como eles se manifestam. Na enxaqueca com aura, os sintomas costumam surgir de forma gradual, evoluindo ao longo de minutos.

Os sinais da aura geralmente desaparecem em até uma hora. Já no AVC, os sintomas aparecem de forma súbita e imediata, o que exige resposta rápida.

Os principais sinais de alerta para um AVC incluem perda de força em apenas um lado do corpo, dificuldade para falar, perda de visão e assimetria facial. A ocorrência de uma dor de cabeça intensa e repentina, descrita como a pior da vida, também é um ponto de atenção.

Especialistas orientam que, caso o paciente sinta sintomas neurológicos prolongados ou diferentes dos habituais, deve buscar atendimento de urgência imediatamente. Medidas como abandonar o cigarro e praticar atividade física são recomendadas para a prevenção.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.