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Saúde

Estudo identifica proteína que pode ajudar no tratamento de linfoma agressivo

Pesquisa identifica proteína que impede o amadurecimento de células de defesa, facilitando a multiplicação do tumor.

Por Redação Diário Local

Um estudo científico identificou um mecanismo que pode ajudar a entender a origem e a agressividade do linfoma difuso de grandes células B (LDGCB), além de indicar um possível caminho para novos tratamentos. Pesquisadores do Instituto de Pesquisa Josep Carreras, na Espanha, descobriram que o tumor interfere no amadurecimento das células de defesa do corpo.

O linfoma é um câncer que ataca o sistema linfático. O LDGCB é considerado uma das formas mais agressivas devido à sua rápida capacidade de crescimento e facilidade de ocorrer fora dos linfonodos. Segundo o Instituto Nacional de Câncer, o LDGCB representa quase 5.000 novos diagnósticos por ano no Brasil, compondo cerca de 40% dos casos de linfomas não Hodgkin.

Como o tumor age no organismo?

A pesquisa, publicada no Journal of Immunology, demonstrou que o linfoma age impedindo a expressão de uma proteína chamada HDAC7. Em condições normais, essa proteína é responsável por garantir que as células B amadureçam e produzam anticorpos, servindo como uma das principais linhas de defesa do organismo.

Ao não receberem a proteína, as células ficam presas em um estado imaturo. Esse erro de programação faz com que elas passem a se multiplicar de forma descontrolada e agressiva, sem conseguir cumprir sua função de defesa. O estudo aponta que a diminuição dessa proteína está associada a um prognóstico ruim e ao avanço da doença.

A pesquisadora Mar Gusi-Vives explica que o tumor não ataca a proteína diretamente, mas muda a forma como a célula manifesta seus genes, funcionando como um "interruptor" que é desligado permanentemente pelas mutações cancerígenas, mesmo sem alterar o DNA.

Quais são os próximos passos para o tratamento?

Os testes realizados em nível experimental com células humanas e animais mostraram que é possível "religar" o mecanismo. Ao promover a reexpressão da proteína HDAC7, as células conseguiram retomar o amadurecimento e se desenvolver como células de defesa, o que resultou na redução de células tumorais nos animais.

Contudo, a aplicação em seres humanos ainda enfrenta desafios. A pesquisadora Mar Gusi-Vives adverte que, em pessoas, não é possível reintroduzir a proteína como foi feito nos experimentos. O objetivo científico agora é encontrar formas de impedir que o tumor bloqueie a expressão natural dessa proteína nos pacientes.

O hematologista Guilherme Perini destaca que o caminho entre a prova biológica e uma terapia eficaz é complexo, pois a proteína utilizada precisa ser segura e não afetar outras células normais do corpo. Atualmente, o tratamento para o LDGCB combina quimioterapia e imunoterapia, com taxas de remissão de 70% quando há diagnóstico precoce.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.