Estudo indica que frequência sexual não é sinônimo de nível de paixão em casais
Pesquisa publicada na Current Sexual Health Reports mostra que o início do relacionamento é o fator que mais influencia a atividade sexual.
Por Redação Diário Local
Uma revisão científica publicada na revista Current Sexual Health Reports indica que a frequência das relações sexuais não está diretamente ligada ao nível de paixão entre um casal. O estudo aponta que fatores como a intensidade do desejo, a força dos sentimentos e o nível de dedicação não são capazes de prever o ritmo das atividades sexuais.
Os dados coletados sugerem que a regularidade das relações sexuais está mais relacionada à estabilidade do amor do que à intensidade da paixão propriamente dita. De acordo com a análise, o início do relacionamento é o fator que mais influencia a atividade sexual dentro de um casal.
Pesquisas de neuroimagem citadas na revisão indicam que, após aproximadamente um ano de relacionamento, a frequência pode sofrer uma redução. Essa queda ocorre mesmo quando o casal continua vivenciando sentimentos intensos entre os parceiros.
O levantamento registrou diferenças claras entre as fases de convivência. Entre jovens adultos, a média declarada foi de 3,5 relações por semana, enquanto casais casados apresentaram uma média de uma relação semanal.
Diferentes perfis de relacionamento
A pesquisa também identificou quatro perfis amorosos distintos: leve, moderado, intenso e libidinoso. Cada grupo apresenta características diferentes de comportamento e conexão emocional.
O grupo classificado como "intenso" apresentou níveis mais altos de romance e compromisso afetivo. No entanto, esse grupo não foi o que registrou a maior atividade sexual durante o estudo.
Em contrapartida, o grupo classificado como "libidinoso" foi o que registrou a maior frequência, chegando a quase dez vezes por semana. Esse perfil também demonstrou maior energia e maior abertura para novas experiências.
Impacto de medicamentos
Os pesquisadores observaram um detalhe importante sobre o uso de medicamentos pelo grupo de maior frequência sexual. Eles notaram que esse grupo fazia maior uso de antidepressivos da classe dos ISRS (Inibidores Seletivos de Recaptação de Serotonina).
A análise sugere que o entusiasmo característico do início de um relacionamento pode ter o poder de superar o efeito colateral desses medicamentos. O efeito colateral mencionado refere-se à possível diminuição do desejo sexual causada pela medicação.
Visão dos especialistas
Adam Bode, pesquisador da Universidade de Melbourne, na Austrália, e líder da revisão, destacou uma lacuna na ciência. Segundo ele, os cientistas não costumam investigar a frequência sexual especificamente em pessoas que vivem o amor romântico.
O especialista afirmou que a baixa frequência média encontrada entre jovens adultos apaixonados foi, inclusive, uma surpresa para a equipe de pesquisa. Os resultados contrariaram expectativas sobre como a paixão dita o ritmo do sexo.
Bode comentou que, em sua experiência pessoal durante a juventude, a frequência era diária quando estava apaixonado. Por isso, ele considerou os dados atuais como um ponto de atenção para a compreensão do comportamento humano atual.
A revisão reforça que a saúde sexual é um dos pilares para o bem-estar, conforme diretrizes de organizações de saúde. O estudo ajuda a desmistificar a ideia de que a paixão é o único motor para a atividade sexual recorrente.
