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Saúde

Suor deixa de ser apenas regulação térmica e ganha estigma social e histórico

Líquido essencial para a regulação térmica do corpo adquiriu má fama ao longo dos séculos e tornou-se marcador social.

Por Redação Diário Local

O suor é um líquido salino essencial para a regulação da temperatura corporal humana. Embora cumpra uma função vital para o organismo, o fenômeno passou por transformações históricas e sociais que resultaram em estigmas e na criação de produtos para o seu controle.

Naturalmente, o suor é inodoro. O odor desagradável ocorre apenas quando as bactérias presentes na pele iniciam o processo de fermentação desse líquido salino, transformando-o em um odor fétido.

Historicamente, a percepção sobre o suor variou drasticamente entre as civilizações. Na Antiguidade, os egípcios possuíam uma conexão sagrada com o suor, associando seu aroma ao cheiro da flor de lótus, que representava o deus Ra.

Essa visão mudou com a influência de passagens bíblicas, como a referência ao esforço do trabalho pelo 'suor do rosto'. Posteriormente, durante a Revolução Industrial, o suor consolidou uma imagem negativa ao se tornar sinônimo de exploração do trabalho manual.

Nesse contexto de desigualdade, o suor passou a ser um marcador social. Enquanto as classes trabalhadoras eram associadas ao esforço físico, as camadas mais ricas não precisavam suar para garantir o sustento, criando uma distinção de classe através da higiene.

A busca pelo controle do odor impulsionou a criação dos desodorantes. No final do século XIX, a norte-americana Edna Murphey desenvolveu o primeiro produto da categoria, que chegou a ser comercializado antes de ser retirado do mercado pouco tempo depois.

Cerca de cinco décadas após a tentativa de Murphey, o norte-americano Jules Montenier patenteou um desodorante que obteve sucesso e permaneceu nas prateleiras por longo período. Desde então, a indústria se dividiu em dois modelos principais de atuação.

Os modelos mais antigos de desodorante funcionam bloqueando a produção do líquido salino pelo corpo. Já os produtos mais modernos atuam de forma diferente: eles inibem a ação das bactérias que realizam a fermentação do suor, combatendo o odor sem impedir a transpiração.

Sobre a segurança desses produtos, desde a sua origem, o desodorante vem sendo associado ao câncer de mama, mas não há evidência científica que corrobore essa acusação.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.