Instituto criado em março lidera disputa por R$ 1,9 bilhão para gerir Hospital Inteligente do SUS
Entidade presidida por médica da USP ficou em primeiro lugar em chamamento do Ministério da Saúde para gerir unidade tecnológica.
Por Redação Diário Local
O Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente do Brasil (ITMI) ficou em primeiro lugar no resultado preliminar do chamamento público do Ministério da Saúde para definir a organização que gerirá o primeiro Hospital Inteligente do SUS. A entidade, que foi criada em 4 de março deste ano, lidera a disputa por um contrato de R$ 1,9 bilhão a ser desembolsado nos primeiros quatro anos do projeto.
O Hospital Inteligente, que terá o nome oficial de Instituto Tecnológico de Emergência (ITE), será instalado no complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O projeto será viabilizado por meio de um empréstimo de US$ 320 milhões junto ao Banco dos Brics, autorizado pelo Senado no final do ano passado.
Próximos passos do chamamento
A Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) aparece como a segunda colocada no resultado preliminar, divulgado no Diário Oficial da União em 24 de julho. Conforme o cronograma do processo, a publicação do resultado final deve ocorrer nesta quarta-feira (12), após o período de análise de eventuais recursos apresentados pelas instituições concorrentes.
Em nota, o Ministério da Saúde afirmou que o chamamento está em andamento e segue todas as regras previstas na legislação. O ITMI, presidido pela médica cardiologista Ludhmila Hajjar, terá como atribuições o apoio à implementação da rede de UTIs Inteligentes e a gestão do novo instituto.
Debate sobre o local de instalação
A instalação da nova unidade tem gerado discussões entre pesquisadores devido à possibilidade de ocupar o terreno onde atualmente funciona o Instituto Adolfo Lutz (IAL). A diretoria do IAL estima que a mudança de sede do órgão para um novo prédio custaria cerca de R$ 446 milhões aos cofres estaduais e levaria até 30 meses para ser concluída.
A Secretaria de Saúde do Governo de São Paulo informou que o projeto está em fase de detalhamento técnico e que as alternativas para a implantação seguem em análise. Segundo a pasta, qualquer decisão sobre a movimentação do Adolfo Lutz será precedida de planejamento técnico para preservar as atividades de pesquisa e vigilância sanitária.
Tecnologia e capacidade de atendimento
O Hospital Inteligente prevê a integração de ferramentas como inteligência artificial, big data, automação hospitalar e ambulâncias conectadas via 5G. A estrutura deve contar com um edifício de 150 mil m² com foco em sustentabilidade e logística avançada.
A unidade terá 800 leitos dedicados ao atendimento de emergência para adultos e crianças, abrangendo especialidades como neurologia, neurocirurgia, cardiologia e terapia intensiva. O objetivo é consolidar o local como um centro de excelência em saúde digital e gestão assistencial preditiva.
