Casos de dengue caem 98% em Ribeirão Preto, mas Franca tem incidência cinco vezes maior
Enquanto Ribeirão Preto registrou 363 casos de janeiro a julho de 2026, Franca contabilizou 927, com taxa de incidência superior.
Por Redação Diário Local
Os casos de dengue apresentaram queda expressiva em Ribeirão Preto e Franca, no interior de São Paulo, entre janeiro e julho de 2026, mas a taxa de incidência em Franca permanece cinco vezes maior que a de Ribeirão Preto. Segundo dados das Secretarias Municipais de Saúde, Ribeirão Preto registrou 363 confirmações no período, contra 21.400 no mesmo intervalo de 2025.
Em Franca, embora também tenha ocorrido redução, o município contabilizou 927 casos entre janeiro e julho de 2026, ante 5.173 confirmações no mesmo período do ano anterior. A disparidade é notada na proporção: Ribeirão Preto apresenta 49,6 casos para cada 100 mil habitantes, enquanto Franca registra 253,6.
Por que a incidência em Franca é maior?
A diferença nos índices pode ser explicada pelo histórico epidemiológico distinto de cada cidade. A diretora da Vigilância Epidemiológica de Ribeirão Preto, Luzia Márcia Romanholi Passos, explica que a cidade convive com grandes epidemias de dengue há décadas, o que influencia o comportamento da imunidade da população.
Já em Franca, o clima mais frio fez com que a cidade demorasse mais para enfrentar surtos de grande proporção. O pediatra Homero Antônio Rosa Júnior aponta que a doença começou a avançar de forma mais intensa a partir de 2021, resultando em um aumento de casos graves e óbitos desde então.
O risco da infestação do mosquito
Apesar da redução nos casos confirmados, os indicadores de presença do mosquito Aedes aegypti subiram em Ribeirão Preto. O Índice de Breteau, que mede recipientes com larvas a cada 100 imóveis vistoriados, chegou a 2,23 em julho de 2026, contra 1,1 no mesmo mês de 2025.
O Índice Predial, que indica a proporção de imóveis com focos do mosquito, também cresceu em Ribeirão Preto, atingindo 1,70 em julho, frente a 1,39 registrado em maio. Para Luzia Márcia Romanholi Passos, o alerta deve ser mantido, pois o risco de transmissão é contínuo e exige a eliminação constante de criadouros.
O pediatra de Franca, Homero Antônio Rosa Júnior, reforça que a presença de larvas pode influenciar o comportamento da doença nos próximos meses, servindo como indício de possíveis novos casos no próximo ano.
O papel da imunidade e da vacinação
Especialistas acreditam que a queda nos números de 2026 pode estar relacionada à imunidade coletiva gerada pelas epidemias de 2024 e 2025. Como muitas pessoas foram infectadas pelos sorotipos 1 e 2 em Ribeirão Preto nesses anos, parte da população desenvolveu barreiras de proteção contra esses mesmos vírus.
Sobre a vacinação, o pediatra Homero Antônio Rosa Júnior avalia que as doses aplicadas atualmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS) para crianças e adolescentes de 10 a 14 anos não são as principais responsáveis pela queda atual. Isso ocorre porque essa faixa etária apresenta baixa incidência de casos graves e óbitos.
Para o médico, a estratégia de contenção a longo prazo precisaria focar em pessoas acima de 30 anos, faixa etária em que os casos de maior gravidade e óbitos são mais frequentes. Ele defende a necessidade de uma vacinação em massa para controlar o avanço do vírus no país.
