Impacto de ondas pode causar lesão na medula e paralisia, alerta especialista
Traumatismo cervical causado pela força da água pode interromper comandos do cérebro para braços e pernas, explica médico.
Por Redação Diário Local
Um acidente causado pela força de uma onda pode provocar traumas graves na coluna e interromper a comunicação entre o cérebro e o restante do corpo. O impacto pode resultar em lesões na medula espinhal, levando à perda de movimentos de membros e até de funções respiratórias.
O risco foi exemplificado pelo caso de Filipe de Freitas, de 41 anos, morador de Águas Claras (DF). Ele foi atingido por uma onda enquanto tomava banho de mar na Praia de Macaraípe, em Recife (PE), no sábado (10), durante uma viagem com a família.
O impacto causou um traumatismo raquimedular cervical, que é uma lesão na medula espinhal situada na região do pescoço. Após o acidente, Filipe perdeu os movimentos das pernas e passou a ter dificuldades para movimentar o braço direito.
O homem foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado para uma unidade hospitalar pública. Ele passou por um procedimento cirúrgico nesta sexta-feira (14) (14) e permanece internado no Hospital da Restauração Governador Paulo Guerra, em Recife.
Atualmente, Filipe está consciente e consegue se comunicar. Ele mantém a movimentação do braço esquerdo, mas segue sem conseguir mexer as pernas e com limitações no lado direito do corpo.
A viagem para a capital pernambucana havia sido planejada pela família em um momento de luto, após o falecimento do avô do paciente. Segundo a irmã, Paula Torres, o objetivo era proporcionar momentos de bem-estar à avó, que havia perdido o companheiro recentemente.
Como uma onda pode causar lesão na coluna?
O perigo reside na força de movimento que a água transfere ao corpo humano. De acordo com o neurocirurgião Nêuton Magalhães, quando uma pessoa é atingida de surpresa, especialmente pelas costas, ela pode ser impulsionada para frente e para baixo.
Em locais com pouca profundidade, existe o risco adicional de a cabeça atingir o fundo do mar. Se a cabeça sofre um impacto brusco enquanto o restante do corpo continua em movimento, a coluna cervical pode ser sobrecarregada.
Esse movimento pode resultar em fraturas, deslocamentos de vértebras ou lesões na medula por compressão e estiramento. Como a medula funciona como o canal de comunicação do cérebro para os membros, a lesão no pescoço compromete os comandos enviados para braços e pernas.
Por que a lesão pode causar paralisia?
A medula espinhal fica protegida no interior da coluna e é responsável por levar os sinais cerebrais até as extremidades. Quando há uma interrupção nessa estrutura na região cervical, a comunicação é cortada, o que pode resultar na perda de movimentos dos quatro membros.
Quanto mais alta for a localização da lesão na medula, maior é o potencial de comprometimento das funções corporais. Além da mobilidade, lesões nessa região podem afetar funções vitais, como a respiração.
É possível recuperar os movimentos?
O prognóstico de recuperação não pode ser previsto apenas pelo tipo de acidente. Segundo o especialista, a possibilidade de reabilitar depende da gravidade da lesão e de quanta parte da medula permanece funcional.
Quando há preservação de movimento ou sensibilidade abaixo do nível do trauma, significa que parte da comunicação entre o cérebro e o corpo ainda funciona. No caso de Filipe, a capacidade de mover o braço esquerdo indica a presença de funções ativas.
A cirurgia realizada tem como objetivo estabilizar a coluna e retirar qualquer compressão sobre a medula para criar condições de recuperação. O procedimento não recupera o tecido que já sofreu a lesão original.
O processo de reabilitação envolve o acompanhamento de fisioterapeutas e terapeutos ocupacionais. A evolução varia entre os pacientes, podendo ocorrer de forma mais intensa nos primeiros meses ou se estender por um período mais longo.
