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Saúde

Proteína que aumenta com a idade pode explicar doenças cerebrais como ELA e Huntington

Pesquisa identifica que a proteína EPS8 favorece o acúmulo de proteínas anormais em células nervosas conforme o organismo envelhece

Por Redação Diário Local

A identificação de uma proteína que se torna mais ativa durante o processo de envelhecimento pode ajudar a explicar por que doenças neurodegenerativas são mais comuns em idosos. Segundo pesquisa liderada pelo professor David Vilchez, de cientistas do Centro de Pesquisa sobre Envelhecimento (CECAD), na Alemanha, a proteína EPS8 está envolvida no acúmulo de proteínas anormais nas células, processo característico de enfermidades como a esclerose lateral amiotrófica (ELA) e a doença de Huntington.

O estudo, publicado na revista Nature Aging em setembro de 2025, aponta que a proteína participa de um mecanismo que favorece o surgimento de agregados tóxicos. Para a equipe de pesquisadores, compreender esse funcionamento é um passo importante para o desenvolvimento de futuras estratégias de tratamento para essas condições.

Os experimentos começaram com o uso do nematoide Caenorhabditis elegans. Esse verme é frequentemente utilizado em estudos científicos sobre o envelhecimento por compartilhar diversos mecanismos biológicos com os seres humanos.

Investigações anteriores já haviam demonstrado que a quantidade de EPS8 aumenta à medida que esses animais envelhecem. O novo trabalho buscou investigar se esse aumento estaria diretamente relacionado aos danos observados nas doenças neurodegenerativas.

Os resultados mostraram que níveis mais altos de EPS8 estavam associados ao acúmulo de proteínas anormais dentro das células nervosas. Tal processo é um dos principais marcadores da ELA e da doença de Huntington.

Durante os testes, os cientistas reduziram a atividade da proteína nos modelos experimentais. Quando isso foi feito, os agregados tóxicos passaram a se formar com menor facilidade.

A redução da atividade da EPS8 também ajudou a preservar o funcionamento dos neurônios nos modelos que foram utilizados. O experimento demonstrou que o controle da proteína tem impacto direto na saúde celular.

A pesquisadora Seda Koyuncu, primeira autora do estudo, explicou a relevância da descoberta. Segundo ela, a idade já é reconhecida há anos como o principal fator de risco para doenças neurodegenerativas.

Contudo, Koyuncu afirmou que o modo exato como as alterações relacionadas ao envelhecimento contribuem para essas doenças ainda permanece, em grande parte, desconhecido pela ciência.

Testes em células humanas

Após os experimentos iniciais com os vermes, a equipe científica repetiu os testes em modelos de células humanas. Foram utilizadas células relacionadas especificamente à doença de Huntington e à ELA.

Os pesquisadores observaram um resultado semelhante ao encontrado nos modelos animais. A redução da atividade da proteína EPS8 também diminuiu o acúmulo de proteínas tóxicas nas células humanas analisadas.

Com base nesses dados, os autores indicam que o mecanismo identificado pode estar presente em diferentes espécies. No entanto, ressaltam que ainda são necessários mais estudos para entender como a proteína desencadeia o processo.

A descoberta coloca a EPS8 como um possível alvo para futuras pesquisas sobre tratamentos para doenças cerebrais ligadas à idade. O foco será entender como bloquear o efeito negativo dessa proteína.

Apesar do avanço, os cientistas alertam que o estudo foi realizado apenas em modelos experimentais e em células cultivadas em laboratório. Por isso, novas pesquisas são indispensáveis para confirmar a eficácia de tratamentos.

Será necessário validar se terapias direcionadas à proteína EPS8 podem se tornar uma opção segura e eficaz para pacientes reais. A investigação deve abranger casos de ELA, Huntington e outras doenças neurodegenerativas associadas ao envelhecimento.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.