Bolsa de sangue raro do Ceará viaja de avião para salvar paciente em Juiz de Fora
Paciente de 63 anos recebeu bolsa de sangue coletada no Ceará após busca nacional identificar doadores compatíveis
Por Redação Diário Local
Uma bolsa de sangue coletada no Ceará viajou mais de 2 mil quilômetros para atender um paciente de 63 anos internado na Santa Casa de Misericórdia de Juiz de Fora, em Minas Gerais. O material foi transportado em um avião comercial e seguiu de carro até o hospital, onde foi utilizado em uma transfusão na tarde de sexta-feira (9).
O procedimento foi necessário para Jorge Roberto dos Santos, que passou por um transplante de rim e precisava de um tipo específico de sangue. A busca por compatibilidade mobilizou o cadastro nacional de doadores raros, que identificou apenas seis possíveis doadores em todo o Brasil.
Segundo informações da Santa Casa, a transfusão ocorreu sem problemas e o paciente apresenta melhora clínica neste sábado (10), mantendo evolução favorável, mas ainda sem previsão de alta.
Por que o sangue precisava ser específico?
A necessidade da transfusão foi identificada pela Agência Transfusional da Santa Casa durante os exames preparatórios. Os testes detectaram que o organismo do paciente produz anticorpos contra o antígeno Jsb, uma característica presente na superfície das hemácias (células vermelhas do sangue).
Como a maioria das pessoas possui esse antígeno, o uso de sangue comum poderia provocar uma reação imunológica no paciente. Por isso, a transfusão exigia uma bolsa de um doador cujas hemácias não apresentassem essa característica.
A compatibilidade sanguínea depende de outros antígenos além dos tipos conhecidos (A, B, AB e O) e do fator Rh, especialmente quando exames detectam anticorpos reativos.
Como foi o processo de busca e transporte?
O pedido de sangue compatível foi encaminhado ao Ministério da Saúde na quarta-feira (7). O cadastro nacional de doadores raros, que reúne 2.032 pessoas, localizou o doador no Ceará, que foi contatado na noite de quarta-feira (7).
A coleta no hemocentro estadual do Ceará ocorreu na manhã de quinta-feira (8), seguida de novos testes de compatibilidade e exames de segurança para detectar doenças como HIV e hepatites B e C. Às 18h de quinta-feira (8), a bolsa embarcou em um avião comercial, na cabine, sob cuidados do piloto e em embalagem térmica.
O voo seguiu até o Aeroporto de Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, de onde a bolsa percorreu quase 300 quilômetros de carro até chegar a Juiz de Fora.
Logística entre estados
A logística de transporte faz parte de uma articulação entre o Ministério da Saúde, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) e companhias aéreas. O objetivo é viabilizar o deslocamento de bolsas de sangue raro em voos comerciais.
O modelo já é utilizado para o transporte de órgãos destinados a transplantes, como rins, fígado, coração e pulmões. A inclusão do sangue raro visa ampliar o alcance da busca por doadores e facilitar o acesso de pacientes a materiais que não estão disponíveis regionalmente.
