Tendência 'maxxing' de otimização extrema pode causar riscos à saúde física e mental
Busca por perfeição em aparência, sono e produtividade pode gerar ansiedade, transtornos alimentares e problemas físicos, alertam especialistas.
Por Redação Diário Local
A tendência de comportamento nas redes sociais chamada de 'maxxing' pode comprometer a saúde física e mental ao incentivar a busca extrema pela otimização de aspectos como aparência, sono e produtividade. O termo, derivado do inglês para 'maximizar', descreve a tentativa de levar ao limite diferentes áreas da vida e já acumula milhões de visualizações em plataformas digitais.
Embora a prática possa, em alguns casos, incentivar hábitos saudáveis, especialistas alertam que a busca constante por uma evolução sem limites pode se transformar em obsessão. Esse comportamento está associado a riscos como ansiedade, baixa autoestima e à crença de que o valor pessoal depende exclusivamente da aprovação alheia ou da estética.
Para a psicóloga cognitiva Rejane Sbrissa, especialista em saúde emocional e qualidade de vida, o fenômeno atrai principalmente jovens e adolescentes por dialogar com a necessidade de pertencimento e validação social. Segundo a especialista, o problema surge quando a busca por evolução se torna uma obsessão, levando a comparações constantes e ao sofrimento emocional.
A psicóloga afirma que o comportamento deixa de ser saudável quando é motivado pelo medo ou pela necessidade de validação, podendo favorecer quadros de depressão, isolamento e transtornos alimentares. A busca incessante pela perfeição também pode contribuir para o desenvolvimento do transtorno dismórfico corporal, especialmente em pessoas com tendência ao perfeccionismo.
A doutora em educação física e especialista em performance, Emy Suelen Pereira, esclarece que o desejo de evoluir não é o problema em si. O risco reside nas promessas de protocolos universais que vendem a ideia de transformações rápidas e fáceis, ignorando a individualidade biológica.
De acordo com a especialista, resultados consistentes dependem de fatores como genética, idade, condição hormonal, alimentação, sono e histórico de atividade física. Ela ressalta que o organismo humano não funciona como uma fórmula de internet e que nenhum corpo responde exatamente da mesma forma que outro.
Quais os riscos físicos do 'maxxing'?
A busca por mudanças corporais aceleradas, frequentemente exibidas em vídeos de redes sociais, pode levar ao uso indiscriminado de suplementos, hormônios e medicamentos. A utilização desses recursos sem orientação profissional pode provocar efeitos adversos graves, como problemas cardiovasculares, hepáticos e renais.
Emy Suelen Pereira alerta ainda para uma falsa sensação de segurança, destacando que o termo 'natural' não significa que um produto seja inofensivo. A especialista reforça que a estratégia mais segura continua sendo a combinação de hábitos validados pela ciência, como hidratação, controle do estresse e acompanhamento profissional.
