Vacinas contra ebola podem oferecer proteção parcial contra nova variante, aponta estudo
Estudo indica que imunizantes usados contra a variante Zaire estimulam anticorpos capazes de reconhecer o vírus Bundibugyo.
Por Redação Diário Local
Vacinas utilizadas contra a variante Zaire do vírus ebola podem oferecer proteção parcial contra o vírus Bundibugyo, responsável por surtos na República Democrática do Congo e em Uganda. Um estudo publicado no New England Journal of Medicine mostrou que os imunizantes estimulam a produção de anticorpos que também reconhecem essa variante, embora não haja confirmação de que isso seja suficiente para prevenir a doença.
A descoberta pode ser importante porque, até o momento, não existe uma vacina licenciada especificamente para o vírus Bundibugyo. Como o desenvolvimento de um novo imunizante leva anos, pesquisadores investigam se as vacinas já disponíveis podem ser utilizadas como alternativa enquanto uma solução específica não é desenvolvida.
Como funciona a resposta imunológica?
Para avaliar a eficácia, pesquisadores analisaram 179 amostras de sangue de adultos e crianças que receberam esquemas de vacinação contra o ebola Zaire. Os cientistas verificaram se os anticorpos produzidos após a vacinação também conseguiam reconhecer proteínas presentes na superfície do vírus Bundibugyo por meio de testes laboratoriais.
Os resultados mostraram que ambos os esquemas vacinais testados estimularam a produção de anticorpos capazes de reconhecer o vírus Bundibugyo. A resposta foi menor do que a observada contra a variante Zaire, mas permaneceu detectável. No caso da vacina rVSV, os anticorpos foram identificados 28 dias após a aplicação e continuaram presentes após três meses. Já na vacina Ad26.MVA, a resposta aumentou nesse período.
Esse fenômeno é conhecido como resposta cruzada, que ocorre quando anticorpos produzidos para combater uma variante do vírus também conseguem reconhecer outra variante relacionada.
A proteção é garantida?
Apesar dos resultados, os autores do estudo destacam que os experimentos foram realizados apenas em ambiente laboratorial. Embora os anticorpos consigam se ligar ao vírus Bundibugyo, ainda não está comprovado que essa resposta seja capaz de impedir a infecção ou evitar que casos graves se desenvolvam.
Serão necessários novos estudos e ensaios clínicos para confirmar se as vacinas que integram os estoques internacionais podem ser utilizadas durante surtos provocados por essa variante.
Cenário atual e transmissão
A Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgou, na última quarta-feira (22), um balanço sobre o surto de ebola declarado em maio na República Democrática do Congo. Segundo a entidade, o país confirmou 2.473 casos da doença e 999 mortes. Em Uganda, foram registrados 20 casos e duas mortes.
O vírus ebola é transmitido inicialmente de morcegos frugívoros para seres humanos pelo contato com animais infectados ou seus fluidos corporais. Após a infecção, a transmissão ocorre entre pessoas pelo contato com sangue e outros fluidos. Os sintomas incluem febre, dores no corpo e mal-estar, podendo evoluir para hemorragias e falência de órgãos em casos graves.
