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Tecnologia

China proíbe namorados virtuais criados por IA para combater vício e dependência emocional

Medida obriga empresas como Alibaba e ByteDance a suspenderem funções; setor de companhias virtuais movimentou R$ 3 bilhões em 2024.

Por Davy Albuquerque

A China implementou uma nova regulamentação para proibir o uso de "namorados virtuais" criados por inteligência artificial (IA). A medida tem como objetivo combater o vício tecnológico e a dependência emocional dos usuários em relação a esses parceiros digitais.

A decisão obrigou gigantes do setor tecnológico, como a ByteDance e a Alibaba, a suspenderem funções de companheiros virtuais em suas plataformas. O anúncio gerou forte repercussão nas redes sociais chinesas, onde diversos usuários lamentaram a perda de interações que já consideravam parte de sua rotina e de seus pilares espirituais.

O setor de companhias virtuais na China registra um crescimento anual superior a 80%. Somente em 2024, o mercado movimentou mais de R$ 3 bilhões, evidenciando a escala econômica do fenômeno dos relacionamentos digitais no país.

O uso de IA para fins afetivos não é um cenário restrito ao território chinês. Um estudo da Common Sense Media aponta que quase três em cada quatro adolescentes nos Estados Unidos já utilizaram companheiros criados por inteligência artificial para estabelecer relacionamentos pessoais.

O crescimento dessas tecnologias ocorre em um momento de alerta das autoridades de saúde. A Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que uma em cada seis pessoas no mundo sofre de solidão, classificando a condição como uma ameaça global à saúde pública.

O impacto da "economia da intimidade"

Especialistas analisam o fenômeno sob o conceito de "tecnoafetividade", que descreve como seres humanos estabelecem vínculos íntimos com máquinas. O modelo de negócio das grandes empresas de tecnologia é apontado como uma possível "economia da intimidade", que utiliza o vínculo emocional com robôs para prolongar o tempo de conexão dos usuários.

O debate também envolve questões psicológicas, como a chamada "quarta ferida narcísica". O desenvolvimento de relacionamentos com inteligência artificial levanta discussões sobre como o envolvimento emocional entre humanos e máquinas pode impactar as dinâmicas sociais tradicionais.

Nesse contexto, o equilíbrio entre o avanço tecnológico e a saúde mental torna-se central. Enquanto o mercado de IA avança em velocidade global, as regulamentações tentam conter os riscos de dependência de sistemas projetados para simular proximidade humana.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.