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Comportamento

Psicologia explica por que adultos estão comprando brinquedos e colecionáveis

Fenômeno dos kidults busca atender necessidades emocionais e funciona como estratégia de regulação em rotinas de estresse.

Por Redação Diário Local

O crescimento do consumo de itens como blocos de montar, pelúcias, videogames e bonecos colecionáveis por adultos — fenômeno conhecido como kidults — reflete uma busca por atender necessidades emocionais e aliviar o estresse da rotina moderna. O movimento desafia a ideia de que o ato de brincar é exclusivo de crianças.

De acordo com a psicóloga Mariana Ramos, o comportamento não representa necessariamente uma tentativa de retornar à infância. Para a especialista, os objetos funcionam como gatilhos de memórias afetivas, conectando o indivíduo a experiências marcantes do passado.

O cérebro associa esses itens a cheiros, músicas e imagens, ativando áreas ligadas ao prazer e à recompensa. Segundo a profissional, o objeto em si pode ser secundário ao que ele simboliza para o adulto.

A tendência também dialoga com o contexto de estresse da sociedade atual, que valoriza o desempenho elevado e a produtividade constante. Mariana Ramos pontua que o cérebro humano não foi projetado para permanecer em estado de alerta de forma contínua.

Por que os hobbies ajudam na saúde mental?

Atividades como montar quebra-cabeças, brincar com massinhas ou pintar miniaturas podem funcionar como estratégias de autorregulação emocional. Esses momentos de lazer auxiliam no equilíbrio entre os desafios cotidianos e o bem-estar mental.

Tais práticas podem induzir o estado de "flow", termo descrito pelo psicólogo Mihaly Csikszentmihalyi. Trata-se de uma experiência de imersão completa em uma atividade que gera prazer e foco profundo.

Nesse estado, a mente alcança um equilíbrio entre o nível de habilidade do indivíduo e o desafio proposto pela tarefa. O resultado é uma sensação de satisfação e concentração intensa durante a execução do hobby.

Além disso, a prática de hobbies pode estimular a neuroplasticidade, que é a capacidade do cérebro de criar novas conexões. Para a especialista, o brincar não é uma perda de tempo, mas um momento de reorganização cerebral.

Quando o comportamento exige cuidado?

Apesar dos benefícios para a saúde mental, a psicóloga ressalta que o equilíbrio é essencial. Ter um hobby deve servir como um fator de proteção, e não como um mecanismo de fuga sistemática.

O comportamento merece atenção quando deixa de proporcionar prazer e passa a ser uma forma de evitar conflitos ou responsabilidades. O uso do lazer como estratégia de esquiva pode indicar a necessidade de suporte profissional.

Entre os sinais de alerta citados pela especialista, destaca-se o isolamento social. O indivíduo pode começar a preferir o contato com os objetos em detrimento das relações interpessoais.

Outro ponto de atenção é o abandono de compromissos importantes e o sofrimento intenso caso a atividade não possa ser realizada. O impacto na rotina funcional é um indicador crítico de desequilíbrio.

A profissional também alerta para possíveis prejuízos financeiros causados por compras compulsivas de itens colecionáveis. A perda do controle sobre os gastos é um sinal de alerta para o comportamento.

Em resumo, o movimento dos kidults parece refletir uma busca pela leveza em meio às cobranças diárias. Trata-se, segundo a análise, do resgate do direito de desfrutar de momentos lúdicos sem o sentimento de culpa.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.