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Tecnologia

Um quinto dos brasileiros não resolve conflitos pessoais sem o auxílio de inteligência artificial

Pesquisa revela que 22% dos usuários não resolvem questões pessoais sem ajuda tecnológica, enquanto 51% admitem preguiça.

Por Redação Diário Local

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Locomotiva aponta que metade dos usuários de inteligência artificial (IA) no Brasil admite ter se tornado mais preguiçosa devido ao uso da tecnologia. O levantamento revela um paradoxo: enquanto 67% dos entrevistados sentem que a ferramenta os deixou mais inteligentes, 51% reconhecem que a dependência da IA dificulta a realização de tarefas de forma autônoma.

Os dados detalham como essa dependência se manifesta em diferentes esferas da rotina dos brasileiros. Segundo o estudo, 31% dos usuários não aprendem um assunto novo sem recorrer à IA, terceirizando o processo de construção de conhecimento, enquanto 25% dependem da tecnologia para tomar decisões financeiras.

O impacto chega também às relações interpessoais. A pesquisa indica que 22% dos entrevistados afirmam não conseguir resolver conflitos pessoais sem o auxílio de ferramentas de inteligência artificial. O cenário expõe uma contradição entre o sentimento de empoderamento e a perda de autonomia cognitiva.

A algoritmização do pensamento

Para o neurocientista Álvaro Machado, sócio do Instituto Locomotiva, esse comportamento reflete um processo de "algoritmização do pensamento". Segundo o especialista, os algoritmos passam a dominar a maneira como as pessoas raciocinam, reduzindo a capacidade do indivíduo de ser dono de seus próprios caminhos.

Machado destaca que a inteligência artificial possui uma diferença qualitativa em relação a dispositivos anteriores, como a calculadora ou a escrita. Diferente dessas ferramentas, a IA é a primeira capaz de efetivamente construir o raciocínio e o resultado final por conta própria, entregando o produto pronto ao usuário.

Impactos no funcionamento cerebral

A ciência aponta que a forma como a tecnologia é utilizada altera as áreas do cérebro ativadas. Quando a IA é usada para ampliar o repertório e pesquisar temas novos, ela pode aumentar a capacidade do usuário. No entanto, quando substitui a elaboração do próprio pensamento, como na redação de textos, o esforço mental é reduzido.

Nesses casos de substituição, as áreas cerebrais acionadas são menos relevantes para o desenvolvimento do pensamento profundo. O especialista alerta que a tecnologia deve servir para somar à existência humana, e não para subtrair a necessidade de esforço mental.

O risco é considerado ainda maior no campo da educação. Segundo Machado, tratar conteúdos escolares como irrelevantes pelo fato de a informação estar disponível na IA ignora que o esforço da aprendizagem é determinante para a formação de redes neurais e para a capacidade argumentativa de uma pessoa.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.