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China realiza primeira recuperação de foguete no oceano com uso de redes para reduzir custos

Foguete Long March 10B realizou manobra inédita no oceano para testar tecnologia de reutilização de estágios e baixar preços

Por Davy Albuquerque

O foguete Long March 10B, da China, realizou a primeira recuperação controlada de um primeiro estágio de foguete no oceano com o uso de redes. A operação ocorreu no dia 10 de julho, no centro espacial comercial de Wenchang, na ilha de Hainan, visando testar a viabilidade de redução de custos de lançamento por meio da reutilização.

Seis minutos após a decolagem, o primeiro estágio se separou da aeronave, inverteu a trajetória e desceu verticalmente sobre uma plataforma marítima de 25 mil toneladas. O sistema de redes na plataforma foi utilizado para capturar o veículo em movimento.

A manobra exigiu o uso de sistemas de orientação, navegação e controle, além de múltiplas ignições dos motores e ajuste da aerodinâmica para posicionar o propulsor com precisão sobre a plataforma em movimento.

Como funciona o sistema de captura por redes?

O modelo chinês de recuperação utiliza ganchos leves no foguete e uma plataforma equipada com uma rede de amortecimento de alta resistência. Essa abordagem difere de outros métodos que utilizam pernas de pouso ou braços mecânicos para capturar o veículo.

Ao utilizar a rede, o sistema transfere parte do esforço técnico do foguete para a plataforma de recuperação. Isso permite que o veículo dispense estruturas pesadas de pouso, reduzindo o peso morto a bordo e tolerando uma margem de erro maior durante o contato com a estrutura.

Embora seja uma escolha de engenharia específica para o estágio atual do programa chinês, o método busca simplificar o processo de retorno do primeiro estágio, que representa grande parte do custo total de um lançamento espacial.

O impacto na redução de custos espaciais

A reutilização de propulsores é vista como o caminho para diminuir o preço de acesso à órbita. Atualmente, o primeiro estágio de foguetes convencionais é descartado após o uso, o que encarece a missão. A métrica de sucesso para a tecnologia não é apenas o desempenho técnico, mas a repetibilidade.

Para que o setor mude de patamar, será necessário que o propulsor possa ser recuperado, reformado e lançado novamente com frequência e a um custo que torne a operação sustentável. A eficiência do modelo será medida pela capacidade de reduzir o preço de lançamento por quilograma colocado em órbita.

A demanda por lançamentos frequentes é impulsionada pelos planos de expansão da China em constelações de satélites. Registros na União Internacional de Telecomunicações (UIT) projetam uma constelação de 12.992 satélites em órbita baixa, o que exige um fluxo constante e barato de veículos lançadores para cumprir prazos de implantação.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.