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Tecnologia

Restrições dos EUA impulsionam crescimento de fabricantes de chips de IA na China

Demanda doméstica por capacidade computacional disparou 417%, acelerando o desenvolvimento de alternativas nacionais para substituir tecnologia americana.

Por Redação Diário Local

As restrições impostas pelos Estados Unidos às exportações de tecnologia têm impulsionado uma expansão sem precedentes no setor de chips de inteligência artificial (IA) na China. A redução no acesso a componentes avançados de empresas estrangeiras está forçando desenvolvedores e gigantes de tecnologia chinesas a investirem em alternativas produzidas no próprio país.

O desequilíbrio entre oferta e procura é acentuado. Segundo a Academia Chinesa de Tecnologia da Informação e Comunicações, a demanda doméstica por capacidade computacional de IA subiu 417% no primeiro trimestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano anterior, enquanto a oferta cresceu 128%.

A escassez de hardware chegou a afetar o serviço ao consumidor final. Desenvolvedores de modelos de IA, como o Alibaba Group Holding Ltd. e a Z.ai, precisaram suspender ou limitar novas assinaturas para usuários individuais entre os meses de abril e julho.

Por que o mercado de chips muda na China?

O movimento é acelerado pelo endurecimento das regras de exportação dos Estados Unidos, que dificultam a compra de chips de última geração da Nvidia Corp. pela China. No segundo trimestre deste ano, as entregas de chips H200 da fabricante para clientes chinesas representaram menos de 1% da receita total da companhia com centros de dados — um contraste grande com 2022, quando a China respondia por 26,4% desse faturamento.

Para reduzir essa lacuna, empresas como a Z.ai iniciaram a construção de infraestrutura fundamentada em semicondutores domésticos. A companhia está erguendo um centro de dados de 1 gigawatt que deverá operar exclusivamente com tecnologia nacional.

O mercado local agora busca a adaptação imediata aos novos lançamentos de empresas como Huawei Technologies Co. Ltd., Moore Threads Technology Co. Ltd. e MetaX Integrated Circuits Co. Ltd., focando na compatibilidade com o ecossistema chinês desde o início do desenvolvimento dos modelos.

Quem lidera a produção de GPUs?

O setor de unidades de processamento gráfico (GPUs), fundamentais para a IA, está dividido em três grandes grupos de fabricantes. A Huawei lidera o primeiro grupo, com 20,4% de participação no mercado e 812 mil unidades enviadas no último ano, seguida pela T-Head (da Alibaba), Cambricon Technologies Corp. Ltd. e Kunlunxin (da Baidu Inc.), de acordo com dados da IDC e da Guolian Minsheng Securities Co. Ltd.

O segundo grupo é formado por empresas menores, conhecidas como os "5 pequenos tigres das GPUs", que incluem a Moore Threads e a MetaX. Embora apresentem crescimento de receita, a maioria dessas empresas ainda não registra lucro devido aos altos investimentos necessários em pesquisa e desenvolvimento.

O terceiro grupo é composto por startups que buscam rotas tecnológicas alternativas e atraem financiamentos constantes no mercado primário.

Quais são os desafios de produção?

Apesar do crescimento, a capacidade de fabricação continua sendo o principal gargalo do setor. Segundo o executivo Dowson Tong, da Tencent Holdings Ltd., nenhum fabricante possui atualmente capacidade suficiente para atender ao mercado. O fundador da DeepSeek, Liang Wenfeng, reforçou que este entrave deve persistir pelos próximos dois anos.

O acesso a processos de fabricação avançados em fundições no exterior também está diminuindo. Empresas que dependiam de processos de 5 nanômetros de fabricantes como Taiwan Semiconductor Manufacturing Co. Ltd. (TSMC) e Samsung Electronics Co. Ltd. agora enfrentam limitações causadas pelas restrições de exportação.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.