ANPD determina suspensão de transmissões ao vivo no Discord após morte de adolescente
Decisão da agência federal ocorre após falhas no monitoramento de conteúdos que envolvem crianças e adolescentes na ferramenta
Por Redação Diário Local
A Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo no Discord, sob o prazo de três dias úteis. A medida foi tomada após o caso de uma menina de 13 anos que teve o suicídio transmitido ao vivo pelas redes sociais.
O órgão federal entendeu que a plataforma não possui os mecanismos necessários para a proteção de crianças e adolescentes por meio da ferramenta de transmissões, o Go Live. O prazo para o cumprimento da determinação começou a contar na quinta-feira (13) e se encerra na segunda-feira (17).
A partir de terça-feira (18), o Discord deverá comprovar que suspendeu as transmissões até que reveja seus protocolos de segurança. Caso contrário, a empresa poderá sofrer punições, como a aplicação de multas.
Por que a suspensão foi determinada?
A decisão da ANPD é uma medida preventiva fundamentada no Estatuto da Criança e Adolescente (ECA) Digital. Em reuniões com o órgão, representantes do Discord não comprovaram possuir mecanismos suficientes de proteção e monitoramento de conteúdos.
O Discord afirmou que investe em segurança na plataforma. A empresa declarou que a atividade criminosa relacionada ao caso da adolescente foi coordenada e continuada em outras redes sociais, após o banimento do servidor original onde a garota era incentivada a se ferir.
Apesar do posicionamento, a companhia admitiu falhas em seu sistema de monitoramento.
Aumento de denúncias na plataforma
Dados da Safernet, organização voltada à defesa dos direitos humanos na internet, mostram um crescimento de 54% no número de denúncias envolvendo o Discord. Entre janeiro e julho de 2026, foram registrados 406 casos, contra 264 no mesmo período de 2025.
Este volume representa a maior média mensal desde que o levantamento da organização foi iniciado, em 2017. De acordo com a Safernet, a plataforma já enfrenta bloqueios em outros países, como Rússia e Turquia, devido ao descumprimento de ordens para remoção de conteúdos ilegais.
