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Tecnologia

Empresa de apostas usa inteligência artificial para focar promoções em usuários que perdem mais

Investigação mostra que DraftKings usou modelos preditivos para atrair quem tem propensão a perder e engajamento alto

Por Redação Diário Local

A gigante das apostas online DraftKings utilizou modelos de inteligência artificial para identificar apostadores com maior propensão a perder dinheiro e direcionar a eles promoções e incentivos. A prática foi revelada por meio de uma investigação que apurou o uso de tecnologia para estimular novas apostas entre usuários que já apresentam perdas recorrentes.

De acordo com documentos e relatos de ex-funcionários, a empresa construiu um modelo de aprendizado de máquina — tecnologia que busca padrões em grandes volumes de dados — para responder quem teria mais probabilidade de reagir a incentivos financeiros apostando e perdendo em seguida. O sistema atribuía pontuações aos clientes com base em seus hábitos de consumo.

O modelo analisava diversos pontos de dados, incluindo a frequência das partidas, o saldo diário das contas e a relação entre o montante apostado e o valor perdido. Quanto maior a pontuação de um usuário, maior a tendência de ele perder dinheiro ao receber uma promoção.

O uso da tecnologia para o marketing

A estratégia visava otimizar o uso de centenas de milhões de dólares gastos anualmente em incentivos, como dinheiro para apostas e alertas em dispositivos móveis. Segundo ex-funcionários que trabalharam nos projetos, a empresa refinou métodos para mirar apostadores com perfis de perda por meio de ciência de dados.

O uso de dados permite que companhias de apostas acompanhem interações digitais para prever o que mantém o usuário ativo. No caso da DraftKings, a riqueza de informações acumuladas permitiu a criação de perfis específicos para campanhas de marketing direcionadas.

Bloqueio de ferramentas de prevenção

A investigação aponta que, enquanto a tecnologia era aplicada para atrair apostas, a DraftKings teria interrompido ou "engavetado" esforços de cientistas de dados que buscavam usar ferramentas semelhantes para prever o desenvolvimento de vício em jogos. Embora funcionários tivessem desenvolvido um modelo para atribuir "pontuações de risco" aos usuários, o projeto não avançou na companhia.

A empresa afirmou que o negócio depende de clientes que apostam por diversão e dentro de suas possibilidades. A diretora de jogo responsável da DraftKings, Lori Kalani, declarou que a companhia monitora comportamentos potencialmente arriscados, mas reconheceu que não utilizou a tecnologia de previsão de risco por não identificar evidências de sua utilidade.

Em comunicado, a DraftKings rejeitou a ideia de que suas práticas de marketing sejam injustas ou visem clientes de forma imprópria. A companhia argumentou que as promoções são direcionadas a clientes que demonstram uso engajado da plataforma.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.