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Ciência

Pesquisador afirma ter feito edição genética em embriões humanos e reacende debate ético

Divulgação de estudo sem revisão por pares sobre alterações no genoma de embriões humanos divide opiniões de cientistas e bioeticistas

Por Diário Local

O biólogo do desenvolvimento Dieter Egli, da Universidade de Columbia, nos Estados Unidos, afirmou ter realizado alterações no genoma de embriões humanos. A divulgação da pesquisa, feita em formato de preprint — versão preliminar sem revisão por pares — na plataforma bioRxiv, despertou reações distintas na comunidade científica.

Enquanto parte dos pesquisadores vê na tecnologia uma possibilidade de tratar ou curar doenças genéticas hereditárias, bioeticistas expressam preocupação com o uso de técnicas para modificar características humanas, como a inteligência. O estudo também levantou discussões sobre possíveis conflitos de interesse, uma vez que parte do sequenciamento foi feito pela empresa Genomic Prediction, com a qual três coautores possuem vínculos financeiros.

Como funciona a edição genética?

A tecnologia de edição genômica avançou significativamente na última década. Um dos métodos mais conhecidos é o CRISPR-Cas9, desenvolvido em 2012 por Jennifer Doudna e Emmanuelle Charpentier. O sistema funciona como uma "tesoura molecular" que corta o DNA em locais específicos, permitindo que os mecanismos de reparo da própria célula corrijam mutações ou removam genes defeituosos.

Apesar do potencial terapêutico para tratar doenças hereditárias e certos tipos de câncer, o método apresenta desafios técnicos. Estudos indicam que o CRISPR-Cas9 pode causar alterações em regiões não planejadas do DNA ou gerar o mosaicismo, situação em que apenas parte das células do embrião é editada, criando um organismo com células geneticamente diferentes.

Para contornar essas limitações, novas técnicas foram desenvolvidas. Em 2016, o grupo de David Liu, da Universidade de Harvard, criou a edição de bases, que altera uma base nitrogenada sem quebrar a dupla fita do DNA, reduzindo riscos de danos. Em 2019, o mesmo grupo desenvolveu a edição-primária (prime-editing), considerada mais versátil e segura por utilizar uma transcriptase reversa para transcrever sequências editadas.

Quais são os riscos e controvérsias?

A prática de divulgar descobertas antes da validação formal por outros cientistas é alvo de críticas. Pesquisadores argumentam que a disseminação de resultados não validados pode criar falsas expectativas e dificultar a distinção entre evidências científicas consolidadas e dados preliminares.

O setor também relembra episódios anteriores de tensão ética, como o caso ocorrido em 2018, quando o pesquisador He Jiankui anunciou o nascimento de crianças com embriões modificados para resistir ao HIV. Na ocasião, o experimento foi criticado por violações regulatórias, resultando na condenação de He a três anos de prisão na China.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.