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Agronegócio

Uso de plantas de cobertura aumenta em 76% a produtividade de lavouras no RS

Pesquisa da USP mostra que diversificar culturas protege o solo contra secas e enchentes, garantindo colheitas mais estáveis.

Por Redação Diário Local

O uso de plantas de cobertura e a diversificação de culturas podem aumentar a produtividade das lavouras em até 76% acima da média no Rio Grande do Sul. A conclusão é de uma pesquisa do Centro de Estudos de Carbono em Agricultura Tropical (CCARBON) da Universidade de São Paulo (USP), que testou o impacto dessas técnicas na resiliência do solo contra eventos climáticos extremos.

O estudo comparou o modelo de plantio tradicional, que utiliza o cultivo contínuo de um único tipo de grão (como soja após trigo), com áreas que adotam vegetais de cobertura para nutrir a terra entre safras. Enquanto o sistema simples apresentou colheitas instáveis, com oscilações de 33% a 39% entre os anos, os agricultores que diversificaram o plantio garantiram mais estabilidade e rendimentos superiores.

Como a técnica protege a lavoura?

A estratégia consiste em cultivar plantas que não são destinadas à venda, mas sim para manter o solo coberto e biologicamente ativo. Segundo pesquisadores da Esalq-USP, essa prática funciona como um "cardápio variado" para a terra, mantendo os organismos do solo ativos e otimizando a fixação de nitrogênio e a disponibilidade de fósforo para a cultura principal.

As análises mostraram que a diversificação vegetal aumenta a capacidade do solo de armazenar água, independentemente de o terreno ser mais arenoso ou argiloso. Isso ocorre devido à formação de bioporos — canais deixados por raízes que, ao se decomporem, permitem que a umidade e o ar circulem melhor nas camadas profundas.

Com esses canais abertos, as culturas principais, como milho ou soja, conseguem desenvolver raízes mais profundas com menos gasto de energia, alcançando água armazenada mesmo durante períodos de estiagem.

Vulnerabilidade climática no Sul

A escolha do Rio Grande do Sul para o estudo deve-se à sua importância na produção nacional de grãos e à sua exposição a crises climáticas. O estado responde por 8,4% da produção brasileira e enfrentou sequências de secas severas entre 2019 e 2023, além de enchentes históricas na safra 2023/2024.

A pesquisa acompanhou 13 experimentos em propriedades comerciais de municípios como São Luiz Gonzaga, Panambi, Não-Me-Toque e São Gabriel, entre outros. Os cientistas utilizaram dados de satélites para isolar o fator climático e comprovar que as diferenças de produtividade eram causadas especificamente pelas técnicas de manejo adotadas.

Apesar dos benefícios, o estudo observou que desastres extremos ainda impactam os produtores. Durante as enchentes de 2024, cerca de 44% dos agricultores que utilizavam a diversificação precisaram abandonar o plano original e semear trigo comercial para tentar recuperar os prejuízos financeiros causados pelo solo encharcado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.