Ciência explica por que terremotos ainda não podem ser previstos com data e hora
Especialistas explicam que o acúmulo de tensão em falhas profundas impede a antecipação exata de data, local e magnitude dos sismos.
Por Davy Albuquerque
A ciência ainda não possui tecnologia para prever a data, o horário, o local e a magnitude de um terremoto. Embora seja possível detectar um tremor assim que ele começa e emitir alertas em alguns países, a antecipação exata do evento é impedida pela natureza do fenômeno geológico.
O motivo principal para essa limitação é que as falhas geológicas estão situadas em grandes profundidades. O acúmulo de tensão nas rochas, que precede o movimento, pode levar décadas ou até séculos para ser liberado, o que dificulta qualquer previsão precisa.
Atualmente, pesquisadores conseguem apenas estimar áreas com maior probabilidade de registrar tremores no futuro. Segundo especialistas, uma previsão científica exigiria antecipar com precisão o epicentro e a intensidade, o que ainda não é possível.
A detecção dos eventos é feita por sismômetros, equipamentos que monitoram continuamente as vibrações do solo. Com os registros, especialistas identificam onde ocorreu o tremor e o momento exato do ocorrido, determinando também a profundidade.
Como funcionam os sistemas de alerta?
Os sistemas de alerta entram em ação apenas quando o terremoto já começou. A tecnologia identifica primeiro as chamadas ondas P, que chegam antes das ondas mais destrutivas e costumam causar menos danos à superfície.
Como as ondas P viajam mais rápido, o sistema consegue enviar um aviso para áreas que ainda serão atingidas pelas ondas subsequentes. Em países como Japão e México, o alerta pode chegar com dezenas de segundos de antecedência.
Esse intervalo de tempo é suficiente para que a população procure proteção. Além disso, permite que serviços essenciais, como metrôs, trens, elevadores e redes de gás, adotem medidas de segurança de forma automática.
Os equipamentos de monitoramento atuam em diferentes etapas. Eles podem detectar microssismos (pequenas deformações na crosta) antes do evento, as ondas sísmicas durante o tremor e as réplicas após o impacto principal.
Qual é a situação do monitoramento no Brasil?
O Brasil possui monitoramento sísmico, mas ainda não conta com um sistema de alerta precoce. A Rede Sismográfica Brasileira reúne cerca de 100 estações distribuídas pelo país, número que é considerado pequeno para um território de dimensões continentais.
Embora o país esteja localizado no interior da Placa Sul-Americana, tremores ainda são registrados. Isso acontece porque tensões geradas nas bordas da placa podem reativar antigas falhas geológicas em solo brasileiro.
As regiões com maior atividade sísmica no território nacional concentram-se no Nordeste, Sudeste, Centro-Oeste e na Amazônia. No entanto, a maioria dos terremotos registrados no Brasil apresenta baixa magnitude.
Para implantar um sistema de alerta no país, seria necessária uma rede de sensores muito mais densa, com transmissão de dados em tempo real. Como os tremores brasileiros raramente provocam danos, a prioridade atual é o monitoramento e o suporte à Defesa Civil.
Em caso de tremor, as recomendações de segurança incluem manter a calma e afastar-se de janelas, estantes ou objetos que possam cair. Se estiver em um imóvel, o ideal é buscar abrigo sob mesas resistentes ou próximo a paredes estruturais.
Deve-se evitar o uso de elevadores durante o evento. Caso haja sinais de danos na construção, a orientação é deixar o local com segurança e seguir as instruções divulgadas apenas por órgãos oficiais.
