Prisão de ex-secretário de Polícia Civil eleva para cinco o número de antigos chefes da corporação presos no Rio
Marcus Amim é o quinto ex-comandante da instituição a ser detido em operações desde 2008; lista inclui nomes de casos de corrupção e jogo do bicho
Por Redação Diário Local
A prisão do ex-secretário de Polícia Civil, Marcus Amim, nesta quinta-feira (15), eleva para cinco o número de antigos chefes da corporação que foram presos no Rio de Janeiro desde 2008. A detenção ocorreu durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, deflagrada pela Polícia Federal (PF).
Amim, que esteve à frente da instituição entre outubro de 2023 e setembro de 2024, é investigado por supostamente oferecer proteção institucional a um grupo criminoso. Segundo a PF, ele é apontado como possível sócio oculto de postos de combustíveis e teria recebido R$ 1,8 milhão por meio de um contrato de consultoria sob suspeita.
A Operação Unha e Carne apura uma organização criminosa que utilizaria uma rede de postos de combustíveis na Região Metropolitana do Rio para lavagem de dinheiro. Conforme dados de um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), a rede movimentou mais de R$ 7,6 bilhões nos últimos seis anos.
A ação, que teve autorização do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), também resultou na prisão do ex-prefeito de Belford Roxo e deputado estadual eleito, Márcio Canella (União Brasil). A PF investiga Canella como possível "patrono político" e articulador de uma organização ligada ao Comando Vermelho.
A trajetória de Marcus Amim no comando da Polícia Civil foi marcada por uma alteração na legislação estadual para viabilizar sua nomeação. À época, o governo Cláudio Castro (PL) enviou à Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) um projeto que mudou a Lei Orgânica da Polícia Civil, permitindo que delegados com menos de 15 anos de exercício ocupassem o posto.
Amim, que ingressou na corporação em 2002, tinha cerca de dez anos como delegado quando assumiu a secretaria. A proposta foi aprovada em regime de urgência em 18 de outubro de 2023 e passou a considerar o tempo total de serviço na Polícia Civil, independentemente do cargo ocupado.
Histórico de ex-chefes da Polícia Civil presos no Rio
A chegada de Amim a este grupo de investigados contribui para um histórico de comandos da Polícia Civil detidos por suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e ligações com o jogo do bicho ao longo de 18 anos.
O delegado Álvaro Lins foi preso em 29 de maio de 2008, na Operação Segurança Pública S/A. Ele era acusado de integrar esquema de corrupção para proteger contraventores e explorar máquinas caça-níqueis. Em 2010, foi condenado a 28 anos de prisão, mas a sentença foi anulada pelo STF em 2024.
Ricardo Hallak também foi detido em 2008, na mesma operação que Lins. O delegado foi denunciado por participação em organização criminosa vinculada ao jogo do bicho. Hallak foi condenado por corrupção passiva, mas faleceu em novembro de 2023, aos 66 anos, após um AVC.
Allan Turnowski, que chefiou a instituição em dois períodos, foi preso em setembro de 2022. A detenção ocorreu durante a Operação Águia na Cabeça, conduzida pelo Grupo de Atuação Especializada de Combate ao Crime Organizado (Gaeco) do Ministério Público do Rio.
Rivaldo Barbosa completa a lista de ex-comandantes que enfrentaram processos judiciais envolvendo crimes como obstrução à Justiça e lavagem de dinheiro em investigações realizadas no estado.
Ao longo dessas quase duas décadas, os desdobramentos judiciais dos investigados variaram entre condenações definitivas e decisões favoráveis em tribunais superiores, que resultaram na anulação de sentenças ou revogação de prisões preventivas.
