Diário Local
Caso Henry Borel

Pai de Henry Borel critica perdão judicial dado à mãe do menino no julgamento

Leniel Borel afirma que decisão do Tribunal do Júri sobre Monique Medeiros causa revitimização e pretende recorrer da sentença.

Por Davy Albuquerque

O vereador Leniel Borel, pai de Henry Borel, criticou a decisão da Justiça do Rio de Janeiro de conceder perdão judicial a Monique Medeiros, mãe da criança. Para o pai, a medida representa um novo episódio de sofrimento para a família e classificou o desfecho como um "escárnio".

Em entrevista, Leniel afirmou que o filho foi "morto pela terceira vez" em razão da decisão judicial. Ele ressaltou que já havia utilizado a expressão anteriormente para descrever momentos em que sentiu que o processo prolongou a dor da família, como a tentativa de evitar o Tribunal do Júri e a soltura de Monique durante a ação penal.

A família paterna de Henry já anunciou que pretende recorrer da decisão para tentar anular o julgamento que resultou no perdão judicial concedido à mãe. Leniel também manifestou intenção de buscar a revisão do caso diretamente na Justiça.

O julgamento também resultou na condenação do ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Dr. Jairinho, padrasto do menino. Ele foi declarado culpado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, prática de tortura e coação no curso do processo.

O perdão judicial é um instrumento previsto no Código Penal que permite à Justiça deixar de aplicar uma pena em situações específicas. A medida pode ocorrer quando as consequências do crime recaem de forma muito intensa sobre o próprio condenado, mas a decisão não elimina a existência do crime.

Relembre o caso

Henry Borel morreu aos 4 anos de idade em 8 de março de 2021, na casa da família, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Na época, a mãe e o padrasto levaram a criança ao hospital alegando que o menino havia caído da cama, mas profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna.

O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) indicou que a criança apresentava 23 lesões de natureza violenta, incluindo laceração no fígado e lesões nos rins. Segundo o documento, as marcas indicavam espancamento e uma morte lenta e agônica.

Sobre o ex-vereador Dr. Jairinho, ele foi mantido sob custódia no Complexo de Gericinó. No último dia 1º de julho, ele foi isolado dos demais presos após a localização de um aparelho celular em sua cela.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.