Pai de Henry Borel pede perícia em celular encontrado na cela de Jairinho na prisão
Leniel Borel questiona uso do aparelho na prisão e pede que o Ministério Público aprofunde análise de mensagens e contatos
Por Davy Albuquerque
O pai do menino Henry Borel, Leniel Borel, defendeu que o celular encontrado na cela ocupada pelo ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior, o Jairinho, seja submetido a uma perícia detalhada. O pedido visa esclarecer o conteúdo do aparelho e verificar se houve uso do dispositivo para fins irregulares durante o período de prisão.
O celular foi localizado no Presídio Pedrolino Werling de Oliveira, localizado no Complexo de Gericinó, no Rio de Janeiro. Após o encontro do aparelho, o acusado foi colocado em isolamento disciplinar no dia 1º de julho.
Leniel Borel questionou a natureza das comunicações realizadas pelo ex-vereador e levantou a possibilidade de que o aparelho tenha sido utilizado para tentar manipular o júri. Para ele, a análise do conteúdo é indispensável para o esclarecimento dos fatos relacionados ao caso.
Por que a perícia é solicitada?
A solicitação de exames periciais baseia-se no histórico da investigação. Leniel Borel lembrou que, durante a apuração da morte de Henry, ocorrida em março de 2021, mensagens trocadas entre Jairinho e Monique Medeiros nos dias do crime foram apagadas e não puderam ser recuperadas pela polícia.
Segundo a avaliação do pai do menino, informações preliminares indicam que o aparelho pode conter anos de conversas armazenadas dentro da unidade prisional. Por isso, ele espera que o Ministério Público aprofunde a análise para identificar contatos, mensagens e outros dados que possam contribuir com o processo.
Relembre o caso
Henry Borel morreu em 8 de março de 2021, na casa da família, em Jacarepaguá, no Rio de Janeiro. Na ocasião, o ex-vereador Jairo Souza Santos Júnior e Monique Medeiros levaram a criança ao hospital, alegando um acidente doméstico, mas profissionais de saúde constataram a morte por hemorragia interna e laceração hepática.
O laudo do Instituto Médico-Legal (IML) apontou que a criança apresentava 23 lesões de natureza violenta, incluindo danos nos rins e no fígado, indicando espancamento. Em junho deste ano, o ex-vereador foi condenado pelos crimes de homicídio duplamente qualificado, tortura e coação no curso do processo.
Monique Medeiros, mãe da criança, teve a acusação de homicídio doloso desclassificada para homicídio culposo, quando não há intenção de matar, e foi condenada por omissão em relação às torturas sofridas pelo filho, recebendo perdão judicial.
