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Pai de PM morta com tiro na cabeça rejeita tese de suicídio em audiência

Em depoimento à Justiça, José Simonal contestou a versão da defesa e afirmou que a filha, soldado da PM, gostava de viver

Por Diário Local

O pai da soldado da Polícia Militar Gisele Alves Santana, morta com um tiro na cabeça em fevereiro, rejeitou a versão de suicídio apresentada pela defesa do acusado em audiência realizada no último dia 1º. José Simonal Teles de Santana afirmou à Justiça que a filha gostava de viver e possuía planos para o futuro, contestando a tese sustentada pelo tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, que é réu pelo caso.

Durante o depoimento, José relatou que a filha era uma pessoa alegre e que mantinha um vínculo forte com a filha de 7 anos, de outro relacionamento. A mãe da policial, Marinalva Vieira Alves de Santana, também negou qualquer comportamento suicida durante sua oitiva.

A Polícia Civil concluiu, após análise de laudos e evidências, que a hipótese de suicídio é inviável. O caso é investigado sob as acusações de feminicídio e fraude processual.

Relatos de controle e comportamento do acusado

O pai da policial descreveu um padrão de comportamento de controle por parte de Geraldo Neto. Segundo José, o oficial monitorava o celular de Gisele e demonstrava ciúme excessivo durante encontros familiares. O depoimento apontou ainda que a policial teria tentado encerrar o relacionamento cerca de quatro vezes antes do crime.

Mensagens recuperadas pela perícia indicaram que Gisele havia decidido pedir o divórcio. A Polícia Civil informou que parte dessas conversas foi apagada do celular do investigado após o disparo. O pai relatou também que, antes de morrer, a filha chegou a pedir para que os pais a buscassem no apartamento onde residia com o oficial, na região do Brás, em São Paulo.

José afirmou que o oficial utilizava sua condição financeira para exercer pressão e humilhar a esposa, alegando que bancava todas as despesas da casa. Segundo o relato, o investigado costumava exibir bens como carros e o valor de seu salário para se impor perante a família.

Andamento do processo judicial

A audiência de instrução, iniciada em 29 de junho, busca reunir provas com depoimentos de familiares, policiais militares, bombeiros e testemunhas. O delegado responsável pelo inquérito, Lucas de Souza Lopes, mencionou que, após o disparo, o investigado realizou chamadas para superiores hierárquicos, mas não procurou os parentes da vítima.

O interrogatório de Geraldo Leite Rosa Neto, que estava previsto para o início de julho, foi adiado pela defesa para o dia 28 de agosto. O tenente-coronel permanece detido no Presídio Militar Romão Gomes, na zona norte de São Paulo, onde nega a autoria do crime e a alteração da cena para simular o suicídio.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.