Tempestade de 1864 causou chuva de granizo do tamanho de ovos no Rio de Janeiro
Temporal com ventos violentos destruiu telhados e estúdios fotográficos na Rua do Ouvidor e em áreas portuárias da capital.
Por Redação Diário Local
Uma tempestade severa ocorrida em outubro de 1864 atingiu o Rio de Janeiro com ventos violentos e granizo de grandes proporções, comparado por relatos da época a ovos de galinha.
O fenômeno meteorológico causou destruição em diversas áreas da capital, afetando desde o centro comercial até zonas portuárias e religiosas. As pedras de gelo, de tamanho considerável, atingiram telhados, claraboias e vitrines, causando estilhaços e inundações em diversos estabelecimentos.
O impacto no centro comercial
A Rua do Ouvidor, principal centro de comércio e convivência da época, foi um dos pontos mais castigados. O barulho do vento e o choque constante das pedras de gelo contra as estruturas causaram a quebra de vidraças e o arrancamento de cobertas.
Entre os locais atingidos estava o estúdio do fotógrafo Joaquim Insley Pacheco, que teve suas oficinas inundadas e uma cobertura de zinco removida pela força do vento. Outro caso de grande prejuízo foi o do fotógrafo Matheus de Oliveira, que havia inaugurado o estúdio Cruzeiro do Sul apenas dois dias antes do temporal; o estabelecimento foi completamente arruinado.
O impacto nas fachadas voltadas para a direção do vento foi severo, com descrições de uma faixa de destruição que se estendia das imediações da Glória ao Engenho Novo.
Danos no setor portuário e instituições
Nas áreas alfandegárias, o granizo causou danos materiais significativos. No Trapiche da Gamboa, houve perda de açúcar armazenado, enquanto no Arsenal da Marinha, janelas e claraboias foram quebradas e pedaços de zinco foram arrancados pelas rajadas de vento.
A vida cultural e religiosa também não escapou do temporal. Teatros como o Lírico Fluminense e o São Januário foram atingidos. Áreas públicas, como o Passeio Público e a Praça da Constituição (atual Praça Tiradentes), registraram árvores derrubadas e danos em estruturas.
No Mosteiro de São Bento, a água invadiu o edifício após o impacto nas vidraças, consolidando o cenário de danos que percorreu os principais pontos da cidade oitocentista.
