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Segurança

Casos de violência contra crianças e adolescentes sobem quase 10% no Brasil

Registros de agressões e maus-tratos em ambiente doméstico somaram mais de 60 mil casos no último ano, aponta Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Por Redação Diário Local

O número de agressões e maus-tratos contra crianças e adolescentes em contexto de violência doméstica cresceu quase 10% no Brasil em 2025, conforme dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Os registros de violência no ambiente familiar somaram 60.797 casos no último ano, o que significa que uma criança ou adolescente sofreu agressões ou maus-tratos em casa a cada nove minutos.

O levantamento detalha que os maus-tratos saltaram de 34.417 registros em 2024 para 38.986 em 2025, uma alta de 13,3%. Já as ocorrências de lesão corporal passaram de 20.911 para 21.811 casos no mesmo período, um crescimento de 4,3%.

Segundo a análise dos especialistas no anuário, o perfil da violência física muda conforme o desenvolvimento da vítima. Durante a infância, os casos se concentram principalmente em crianças de 5 a 9 anos, com uma taxa de 95,5 registros por 100 mil habitantes.

Na adolescência, o cenário se altera e as lesões corporais ganham maior incidência. O pico de violência ocorre na faixa entre 14 e 17 anos, atingindo 104 casos para cada 100 mil habitantes.

Como a violência se manifesta?

A análise aponta que a violência física altera sua configuração ao longo do crescimento do menor. Durante a infância, predominam as agressões relacionadas ao exercício violento da autoridade familiar.

Já na fase da adolescência, as situações tornam-se mais frequentes como violências domésticas tipificadas especificamente como lesão corporal. Outros indicadores de violência contra menores também apresentaram alta, como o abandono de incapaz, que subiu 18,5%, e casos de bullying, que cresceram 68,2%.

Naturalização da violência no país

Apesar do aumento nos registros, o anuário destaca uma persistência na naturalização da violência como método educativo. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Futuro é Infância Saudável (Infinis), em parceria com a Quaest, mostra que 56% dos brasileiros ainda consideram aceitável bater nos filhos.

Os dados indicam que 49% dos entrevistados afirmaram já ter dado tapas em crianças. Além disso, sobre episódios de agressão em espaços públicos, apenas 36% das pessoas disseram que interviriam na situação.

O documento conclui que existe um desafio em romper a ideia de que a violência pode ser um instrumento legítimo de cuidado e educação. Embora a prática ainda seja aceita por parte da população, o anuário observa um crescimento gradual na percepção de que tais atos violam direitos fundamentais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.