Ações da Natura sobem 1,5% após balanço do 2T superar expectativas de mercado
Papéis da empresa de cosméticos fecharam em alta nesta terça-feira (11) após o EBITDA consolidado superar as estimativas de analistas
Por Redação Diário Local
As ações da Natura fecharam em alta nesta terça-feira (11), após o balanço do segundo trimestre apresentar resultados acima das expectativas de mercado. Os papéis da empresa de cosméticos subiram 1,49%, sendo negociados a R$ 8,19 ao final do dia.
O movimento ocorreu em um cenário de queda para o índice Ibovespa, que recuou 2,5% na mesma sessão. A performance da empresa foi impulsionada pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) consolidado de R$ 620 milhões, montante que superou as estimativas do Bradesco BBI em 21% e o consenso de mercado em 14%.
A melhora nos números foi atribuída ao controle de despesas operacionais e à margem bruta, que compensaram a queda de 9% na receita consolidada em base anual. De acordo com analistas do Bradesco BBI, a companhia demonstrou resiliência na proteção de margens e na geração de caixa, mesmo diante de um cenário desafiador para as vendas no Brasil e na marca Avon.
O que dizem os analistas sobre o resultado
A virada das ações pode estar relacionada à cobertura de posições vendidas, devido a um resultado menos negativo do que o projetado. Segundo Sidney Lima, analista da Ouro Preto Investimentos, a margem EBITDA avançou 4,7 pontos percentuais em relação ao primeiro trimestre, o que evitou uma leitura puramente negativa do balanço.
O especialista pontuou que a Natura gerou cerca de R$ 360 milhões em caixa no trimestre. Contudo, ele observou que o movimento de alta não deve ser classificado como um "short squeeze" clássico, pois este geralmente envolve uma expansão de volume e recompras mais violentas.
O JPMorgan classificou o desempenho como fraco, mas superior ao temido para o período. Segundo o banco, a resiliência da rentabilidade e a geração de caixa foram pontos positivos, embora a visibilidade sobre o ritmo de recuperação da receita no Brasil ainda seja baixa.
Desafios na operação brasileira
Apesar dos pontos positivos no controle de despesas, o Goldman Sachs destacou a fraqueza na operação principal da Natura no Brasil, onde a receita recuou 15% comparada ao mesmo período do ano anterior. O recuo da margem bruta foi influenciado pelo impacto temporário do ICMS-ST (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços por Substituição Tributária).
O Morgan Stanley também avaliou que os resultados do segundo trimestre foram prejudicados, principalmente, pelo desempenho da operação brasileira. Por conta do desempenho no primeiro semestre, a Natura revisou sua expectativa para a margem EBITDA em 2026, projetando expansão sobre os 10% registrados em 2025.
