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Economia

Queda de juros pode elevar valor de mercado da Eneva em até 80%, avalia gestora

A gestora Acuto Capital aponta que redução no custo de capital e cenário fiscal favorável podem impulsionar as ações da geradora de energia.

Por Redação Diário Local

A redução no custo de empréstimos e uma possível melhora no quadro fiscal brasileiro podem impulsionar o valor de mercado da Eneva (ENEV3) em até 80%. A projeção é da gestora Acuto Capital, que posiciona a geradora de energia como uma de suas principais apostas para aproveitar uma futura queda nos juros de longo prazo.

O potencial de valorização das ações da companhia está diretamente ligado à velocidade da redução das taxas de juros e ao cenário político e fiscal do país. De acordo com Marcus Fadul, fundador da Acuto Capital, uma eventual compressão do custo de capital pode gerar ganhos de 70% a 80% para os investidores.

A escolha pela Eneva fundamenta-se nos projetos futuros da empresa e na capacidade de produção conquistada em leilão de reserva realizado em março deste ano (2024). No entanto, a necessidade de captar recursos para a construção dessas obras torna o resultado financeiro da companhia dependente do nível das taxas de juros praticadas no mercado.

O custo desse financiamento afeta diretamente o lucro e a trajetória de alavancagem da empresa ao longo do tempo. Fadul exemplifica que variações no custo do dinheiro, baseadas no CDI, podem mudar completamente a dinâmica de pagamento e crescimento da companhia.

Por que as contas públicas influenciam os juros no Brasil?

A organização das contas do governo brasileiro é apontada como o fator mais importante para o recuo das taxas de juros domésticas. A aprovação de um plano de controle de gastos vinculado ao tamanho da dívida pública é vista como o passo decisivo para o cenário de queda.

Caso haja esse compromisso fiscal, existe a expectativa de que o endividamento do país comece a cair a partir de 2027 ou 2028. Esse movimento teria força para reduzir a diferença entre os juros do Brasil e dos Estados Unidos para cerca de cinco pontos percentuais.

Com esse ajuste, a taxa brasileira de longo prazo poderia recuar do patamar atual para uma faixa entre 9% e 10%. Atualmente, os títulos públicos do governo para prazos de 10 anos pagam mais de 14%, enquanto nos Estados Unidos o rendimento está em torno de 5,25%.

O Brasil como alternativa ao setor de tecnologia

Apesar da corrida global por investimentos em inteligência artificial focar recursos no exterior, o mercado brasileiro pode atrair capital internacional por meio da diversificação. Investidores têm buscado alternativas para proteger patrimônio fora da temática de tecnologia e da dependência do dólar.

Países focados na produção de matérias-primas e produtos agrícolas surgem como uma opção para diversificar portfólios. Essa busca por ativos distintos da tecnologia pode fortalecer o fluxo de capitais para a bolsa de valores no Brasil.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.