Alta do dólar pode encarecer carne, frango e açúcar no Brasil, alerta economista
Valorização da moeda americana favorece exportações e pode pressionar os preços de itens básicos no mercado interno brasileiro.
Por Redação Diário Local
A valorização do dólar pode encarecer produtos como carne, frango e açúcar para o consumidor brasileiro. O movimento da moeda americana altera a rentabilidade das exportações e pode elevar os preços praticados no mercado interno, segundo análise de Rafael Perretti, economista da Clear Corretora.
Como grande parte das commodities agrícolas é negociada em moeda americana, empresas exportadoras podem priorizar o mercado externo quando o câmbio está alto. Esse movimento altera a formação de preços no Brasil, já que a oferta interna pode diminuir em favor das vendas internacionais.
No setor de proteína animal, o impacto é direto. Com o dólar elevado, os frigoríficos podem optar por aumentar as exportações de carne bovina, partindo do boi gordo, para obter maior remuneração em reais. O mesmo risco de alta nos custos atinge o frango, pois o milho, commodity utilizada na alimentação das aves, também pode sofrer valorização.
Por que o açúcar e outros alimentos podem subir?
O impacto da variação cambial não se restringe apenas à carne. O açúcar também integra a lista de produtos que podem ter os preços afetados pelo comportamento do câmbio. De acordo com o economista, todos os produtos que possuem relação com as exportações e cujas cotações dependem do dólar podem sofrer variações significativas no Brasil.
Essa dinâmica cria um ciclo de pressão nos preços de itens que fazem parte do consumo cotidiano da população, vinculando o custo de alimentação ao desempenho da moeda estrangeira.
Impactos na inflação e nos juros
A alta do dólar também traz reflexos para os indicadores macroeconômicos do país. Um dólar elevado pode gerar um carrego inflacionário, aumentando os custos de produtos influenciados pelo câmbio e pressionando o índice de preços ao consumidor.
Esse cenário de inflação e incerteza fiscal também influencia o mercado de juros. Diante de preocupações com o déficit elevado e o alto gasto público, os investidores passam a exigir maior remuneração para financiar o governo por meio da compra de títulos.
Esse movimento exerce pressão sobre as taxas de juros de mercado. A combinação de risco fiscal e pressão inflacionária pode dificultar o espaço para reduções da taxa Selic, a política monetária básica do país.
