Banco Master repassou R$ 3,6 bilhões em dívidas para gestora investigada pela Polícia Federal
Levantamento feito por liquidante aponta que créditos foram cedidos a fundos ligados à Reag, investigada por fraudes e lavagem de dinheiro
Por Redação Diário Local
O Banco Master repassou ao menos R$ 3,6 bilhões em créditos de dívidas para fundos ligados à Reag, gestora que é alvo de investigação da Polícia Federal. A suspeita envolve fraudes e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis.
O levantamento foi detalhado em uma lista de 112 operações de crédito cedidas a terceiros, apresentada à Justiça pelo liquidante do Banco Master. A documentação faz parte de um recurso movido por Henrique Vorcaro para tentar anular o congelamento de seus bens.
De acordo com as investigações da Polícia Federal, a Reag é suspeita de atuar na estruturação e administração de fundos que movimentam recursos de forma atípica para inflar resultados. Um dos nomes citados nas investigações é o fundador da gestora, João Carlos Mansur.
Como funcionariam as operações
A linha de investigação aponta que as operações poderiam servir para que o banco abrisse espaço para a emissão de novos Certificados de Depósito Bancário (CDBs) e a captação de empréstimos. Nesse esquema, o banco captaria recursos via CDBs e os emprestaria para empresas, que aplicariam o dinheiro em fundos.
Os fundos utilizariam parte desses valores para comprar empréstimos feitos pelas próprias empresas. O mecanismo faria com que os valores não fossem cobrados, recaindo o calote sobre os fundos. O levantamento localizou os R$ 3,6 bilhões repassados a 11 fundos distintos, com operações ocorrendo entre 2021 e 2025.
O documento aponta casos em que o início do contrato de empréstimo ocorreu no mesmo dia do repasse da dívida para o fundo. Entre os exemplos, seis operações somam R$ 130 milhões destinados a empresas do grupo Gafisa, cujos acionistas incluem o investidor Nelson Tanure.
Conexão com investigação de crimes organizados
O Banco Master também repassou R$ 357 milhões em créditos de dívidas para um dos fundos citados na Operação Carbono Oculto. Essa operação apura crimes de fraude, lavagem de dinheiro e ocultação de recursos ilícitos no setor de combustíveis, com supostas ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC).
O fundo em questão, denominado Astralo 95, integra o que foi chamado de "estrutura Frozen", grupo de fundos com nomes de personagens da animação Frozen, da Disney, como Olaf, Hans, Sven e Anna. As operações de crédito vinculadas ao Astralo 95 foram contraídas por oito pessoas físicas e jurídicas entre 2022 e 2024.
O Astralo 95 também é alvo de questionamentos pelo liquidante do banco. Em uma das peças processuais, o fundo é mencionado em uma transação na qual o fundo Anna teria lucrado R$ 200 milhões em menos de um dia, ao comprar cotas do fundo RSG por R$ 900 milhões e revendê-las ao fundo Máxima 2, controlado pelo Master, por R$ 1,1 bilhão.
