Moedas da América Latina atraem investidores em operações de carry trade
Queda na volatilidade cambial e juros elevados na região impulsionam retornos de investidores em moedas como real e peso colombiano
Por Davy Albuquerque
A queda na volatilidade das moedas de mercados emergentes voltou a impulsionar as operações de carry trade, especialmente as que envolvem moedas da América Latina. A região tem se destacado por oferecer retornos atraentes devido às taxas de juros mais elevadas do que a maioria de seus pares em países em desenvolvimento.
A estratégia de carry trade consiste em tomar empréstimos onde os juros são baixos para investir em locais com prêmio de rentabilidade maior. Com a redução da volatilidade cambial global, o risco de que a vantagem dos juros seja anulada por movimentos desfavoráveis no câmbio diminui, favorecendo o movimento de capital para a região.
Por que a América Latina se destaca?
Além dos juros altos, a região possui uma característica que protege as moedas de choques externos: muitos países são exportadores de petróleo. Isso oferece uma camada de proteção contra o impacto de preços mais altos da commodity, ao contrário de regiões como Europa, Oriente Médio e África (EMEA) e Ásia.
Outro fator é a melhora nos superávits em conta corrente, impulsionada pelo crescimento das exportações de commodities, como mineração e petróleo, além do setor manufatureiro. A desaceleração da inflação na região também ajuda a manter a atratividade dos altos rendimentos reais.
Desempenho das moedas e métricas de risco
O real brasileiro lidera a métrica de carry sobre risco entre 27 moedas, com pontuação de 1,33. O peso colombiano aparece em terceiro lugar, com 1,31, e o peso mexicano em quinto, com 0,91. O cálculo considera a diferença entre as taxas de juros de três meses da moeda-alvo e da moeda de financiamento, dividida pela volatilidade implícita.
No desempenho acumulado deste ano, a estratégia de comprar peso colombiano com dólares rendeu 22%. Operações com o real brasileiro geraram ganhos de 12,9%, enquanto o peso argentino avançou 12,8%. Em contrapartida, moedas como o zloty polonês, a rupia indonésia e o baht tailandês acumularam perdas de pelo menos 5%.
Quais são os riscos para o setor?
Apesar do otimismo, especialistas apontam que a América Latina não está livre de riscos. No Brasil, fatores domésticos podem influenciar o mercado, com a possibilidade de o Banco Central considerar cortes de juros já em agosto.
Na Colômbia, embora haja otimismo com a consolidação fiscal, o cenário exige cautela. Além disso, o fenômeno climático El Niño é citado como um risco para as moedas andinas, como o peso chileno, o sol peruano e o peso colombiano.
