China ameaça represálias contra Europa após multa de 550 milhões de euros ao AliExpress
Pequim acusa União Europeia de criar barreiras discriminatórias e critica leis francesas contra empresas de moda rápida.
Por Redação Diário Local
O governo da China declarou estar "fortemente insatisfeito" com a aplicação de uma multa de 550 milhões de euros (US$ 628 milhões) ao AliExpress, do Alibaba Group, e alertou para a possibilidade de represálias contra a União Europeia. Em comunicado divulgado nesta quarta-feira (22), o Ministério do Comércio da China afirmou que a medida da Comissão Europeia funciona como uma estratégia para criar barreiras comerciais discriminatórias contra empresas do país.
A sanção foi comunicada pela Comissão Europeia em 20 de julho, com base na Lei de Serviços Digitais. O bloco europeu argumentou que a plataforma AliExpress não avaliou nem limitou de forma suficiente os riscos de circulação de produtos ilegais, inseguros ou falsificados em seu sistema.
O AliExpress manifestou discordância tanto pela decisão quanto pelo valor da multa. Em nota, a empresa afirmou que a sentença não considerou integralmente sua estrutura de conformidade atual e as melhorias realizadas recentemente, informando que analisa as possíveis respostas à medida.
Por que a China criticou a legislação francesa?
Além da penalidade ao AliExpress, Pequim criticou uma lei aprovada na França no dia 29 de junho (29), que foca no setor de moda rápida. O Ministério do Comércio chinês descreveu a norma como uma medida discriminatória que utiliza o pretexto de proteção ambiental para atingir varejistas como Shein e Temu.
A legislação francesa prevê multas por item para têxteis produzidos em massa, com valores que podem chegar a 10 euros até 2030. A regra também proíbe a publicidade de marcas de moda ultrarrápida, incluindo ações de promoção realizadas com influenciadores digitais.
O Ministério do Comércio da China afirmou que está monitorando a implementação dessas regras e que tomará as medidas necessárias caso os interesses das empresas chinesas sejam prejudicados pelo novo modelo regulatório europeu.
Aumento do escrutínio sobre o e-commerce chinês
O atrito reflete a intensificação da supervisão europeia sobre plataformas de comércio eletrônico transfronteiriço e importações de baixo custo. Em 1º de julho, a União Europeia encerrou a isenção de impostos para encomendas importadas com valor inferior a 150 euros, dificultando a entrada de grandes volumes de mercadorias sem tributação no bloco.
Outras empresas do setor também sofreram punições recentes. Em maio, a União Europeia multou a plataforma Temu, da PDD Holdings, em 200 milhões de euros por falhas na avaliação de riscos de produtos não conformes. Em junho, reguladores franceses aplicaram uma multa de cerca de 22 milhões de euros à Shein por violações relacionadas a devoluções e informações sobre produtos e pedidos.
