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Economia

Copom inicia reunião nesta terça-feira (3) com mudança nas expectativas de mercado sobre juros

Investidores mudam projeções de corte para manutenção da Selic após reeleição de Lula e aumento de risco fiscal.

Por Redação Diário Local

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central inicia sua penúltima reunião de 2026 nesta terça-feira (3). A decisão sobre a taxa Selic, a ser anunciada na quarta-feira (4), ocorre em um momento de inversão nas expectativas do mercado financeiro, que passou a projetar uma manutenção dos juros em vez de novos cortes.

Até o dia 23 de outubro, os contratos de opções de Copom negociados na B3 mostravam que 76% dos investidores projetavam uma redução das taxas pelo colegiado. No entanto, as projeções mudaram após o cenário político e econômico sofrer alterações significativas.

Na última sexta-feira (30), 72,5% do mercado apostava na manutenção dos juros atuais, enquanto apenas 26% mantinham a expectativa de queda. A mudança de postura dos investidores reflete a reação após a confirmação da reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva para um quarto mandato na Presidência da República, ocorrida em 26 de outubro.

Com o resultado das urnas, o mercado passou por uma reprecificação de ativos devido ao aumento da percepção de risco fiscal e à expectativa de continuidade de gastos públicos. A transição para o novo governo, que se inicia em 2027, também é um fator de incerteza que pesa nas projeções de longo prazo.

Por que as expectativas de mercado mudaram?

O cenário atual é considerado mais desafiador do que o registrado em setembro. Entre os fatores que influenciaram a mudança de visão dos investidores estão a forte desvalorização do real, a abertura da curva de juros e o aumento das inflações implícitas.

De acordo com análises do setor, a desvalorização cambial e o aumento dos prêmios de risco dificultam a justificativa para novos cortes de juros. O mercado agora precifica uma elevação de 0,75 ponto percentual na Selic antes do fim de 2027, antecipando uma trajetória mais restritiva.

Quais são os riscos para a inflação?

O Banco Central monitora de perto a desancoragem das expectativas, que ocorre quando as projeções de inflação do mercado se distanciam da meta estabelecida. O agravamento desses riscos inflacionários pode exigir que o colegiado adote uma postura mais cautelosa e dependente de novos dados econômicos.

Há também a expectativa de que o próximo boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, apresente estimativas de inflação mais elevadas para o período entre 2027 e 2030. Essa revisão dos números reflete o ajuste que os agentes financeiros estão fazendo para alinhar as expectativas ao novo patamar de risco fiscal.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.