Lindbergh Farias acusa mercado de sabotar economia e cobra redução de juros de Galípolo
Parlamentar questionou mudança nas projeções de juros após reeleição de Lula e criticou autonomia do Banco Central
Por Redação Diário Local
O deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) acusou o mercado financeiro de tentar sabotar a economia brasileira após a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O parlamentar cobrou do presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, a redução da taxa básica de juros (Selic).
Em publicação realizada nesta segunda-feira (02), Lindbergh questionou a mudança nas projeções de juros após a vitória de Lula no segundo turno das eleições. Segundo o deputado, as expectativas do setor financeiro mudaram de uma previsão de queda de 0,5 ponto percentual na Selic ainda este ano para uma manutenção da taxa em 13,75% ao ano.
O parlamentar afirmou que a decisão sobre a taxa de juros deve ser pautada por critérios técnicos, como inflação, atividade econômica, emprego e crédito. Ele classificou a pressão do setor como "terrorismo financeiro" e alegou que o mercado busca lucrar com juros elevados.
A movimentação ocorre em um cenário de volatilidade nos indicadores econômicos. Após o resultado do segundo turno, o dólar registrou alta e a Bolsa brasileira (B3) sofreu quedas acentuadas, chegando a acionar o circuit breaker, mecanismo que interrompe as negociações diante de oscilações bruscas.
O índice da Bolsa encerrou a última sexta-feira (30) com queda de 0,75%, aos 167,9 mil pontos. Na quinta-feira (29), o mercado já apresentava retração de 1,06%, fechando aos 169.186,42 pontos.
Críticas à autonomia do Banco Central
Lindbergh Farias também direcionou críticas ao modelo de autonomia do Banco Central. Para o deputado, o formato atual permite que o mercado financeiro exerça influência direta sobre as decisões de política monetária e cambial.
O parlamentar defendeu que o modelo de autonomia tem permitido que o setor dite as regras de forma descolada dos programas eleitos nas urnas. Ele afirmou que o mercado, que teria base de apoio bolsonarista, cria expectativas que acabam por se autorrealizar.
