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Economia

Brasil tem 122,8 milhões de pessoas com crédito ativo, mas inadimplência cresce

O número de brasileiros com crédito ativo subiu 27% entre 2021 e 2025, enquanto o saldo de devedores saltou de R$ 54 bilhões para R$ 177,6 bilhões.

Por Redação Diário Local

O número de brasileiros com crédito ativo no país atingiu 122,8 milhões ao final de 2025, um crescimento de 27% em relação ao período de 2021, quando o total era de 96,8 milhões de pessoas. Apesar da expansão do acesso ao sistema financeiro, a taxa de inadimplência entre os usuários avançou de 19,9% para 26,3% nos últimos cinco anos.

Os dados integram o estudo 'O começo de uma década – A evolução do mercado financeiro até a metade dos novos anos 20', produzido pela Equifax BoaVista, Acordo Certo e CDL Porto Alegre. A análise utilizou informações do Sistema de Informações de Crédito (SCR) do Banco Central referentes ao intervalo entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025.

O levantamento aponta que o saldo das operações financeiras saltou de aproximadamente R$ 2,7 trilhões para R$ 4,47 trilhões no período. Paralelamente, o saldo de valores inadimplentes cresceu mais que o triplo, passando de R$ 54 bilhões para R$ 177,6 bilhões.

Por que a inadimplência cresceu?

O aumento do volume de devedores reflete o que o mercado chama de 'paradoxo da inclusão'. Embora o acesso ao crédito tenha sido facilitado, o risco de endividamento acompanhou a expansão. Segundo o Banco Central, o aumento do endividamento é uma consequência esperada da maior inclusão financeira, especialmente entre a população de baixa renda.

A pesquisa de percepção realizada com usuários da plataforma Acordo Certo reforça essa tendência. Cerca de 72,3% dos consumidores entrevistados acreditam que ficou mais fácil se endividar nos últimos anos, embora 48,8% relatem que sua vida financeira melhorou desde o início da década devido ao maior poder de compra.

O número de pessoas com restrições de crédito (negativados) também registrou alta de 39,8% em cinco anos, com o volume de registros subindo 73,1% no mesmo intervalo.

Qual o impacto no orçamento das famílias?

O comprometimento da renda das famílias com o pagamento de contratos de crédito subiu de 70,3% em 2021 para 81,1% em 2025. O indicador chegou a registrar um pico de 86,1% em 2024, apresentando uma leve redução no último ano analisado.

A redução observada em 2025 não é considerada uma melhora estrutural. O ajuste pode ser reflexo do processo das famílias se adaptando ao cenário de custos elevados do crédito. Os grupos que apresentam maior risco de atraso nos pagamentos continuam sendo os consumidores mais jovens e aqueles que recebem até dois salários mínimos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.